Escritor e colunista da ANDA lança livro sobre situações cotidianas e os direitos animais

           
Foto: Divulgação
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O jornalista, colunista da ANDA e escritor, Dagomir Marquezi, reuniu seus textos publicados na agência no livro Eu Sou Animal, que foi lançado em formato digital pela Amazon. Dagomir tem 60 anos e já escreveu sobre a causa animal em grandes veículos de imprensa como O Estado de São Paulo, Playboy, VIP, Universo Animal, entre muitos outros. Ele participou ativamente na luta pelo fim da caça à baleia no Brasil e na denúncia da farra do boi. Nesta entrevista concedida à redação, ele explica como surgiu a ideia de produzir a coletânea em formato digital e que terá parte da renda revertida para a ANDA. O livro custa apenas R$ 9,95 e pode ser adquirido no site da Amazon.

ANDA – O livro Eu Sou Animal reuniu todas as colunas publicadas na ANDA?

Dagomir Marquezi – Não, eu fiz uma seleção das mais significativas e especialmente das que não ficaram datadas ou fora de contexto. Além disso praticamente todas as colunas foram reeditadas. O livro tem o objetivo de tornar o que escrevi para a ANDA mais duradouro. É um retrato de situações cotidianas que envolvem a questão dos direitos animais entre 2008 e 2013. Os textos falam de comida, moda, cinema, esporte, e coisas do dia a dia.

ANDA –  Ele abre com uma coluna sobre gastronomia.

Dagomir Marquezi – Foi, como diria o Chaves, sem querer querendo. A gastronomia é o grande campo de batalha hoje na questão dos direitos animais. É na gastronomia que está a grande tragédia, o holocausto diário de animais. E eu não me orgulho nada de ter o Brasil como uma potência mundial da pecuária. Mas o livro não tenta convencer ninguém a ser vegetariano. Minha abordagem no livro vai em dois outros sentidos. Um é tentar estabelecer uma ética básica na culinária. A outra é refletir essa opção do Brasil de continuar sendo pelo jeito para sempre um exportador de commodities, incluindo pedaços de corpos de animais. Uma das colunas parte de uma estatística do IBGE e calcula quantos animais são mortos por minuto nos abatedouros do Brasil. No caso de frangos, quantos são mortos por segundo. É vertiginoso.

ANDA – E quanto à ética gastronômica?

Dagomir Marquezi – Eu não me iludo: um país de churrasqueiros como o nosso vai continuar dependendo de carne por muito tempo. Propor um vegetarianismo amplo, geral, imediato e irrestrito é completamente fora da realidade. Mas eu acho que chefs, cozinheiros, críticos gastronômicos e consumidores poderiam estabelecer alguns limites imediatos.

ANDA – Que tipo de limite?

Dagomir Marquezi – Pratos que envolvem crueldade e tortura deveriam ser simplesmente banidos. É o caso típico do patê de foie gras. Ou do chamado baby-beef. Mas existe uma questão ainda pior: os chineses qcreditam que quanto mais um cão sofre para ser morto, mais macia vai ficar sua carne. Aí não falamos nem de ética mais. Estamos no limite do conceito de civilização. Alguns desses pratos cruéis são descritos e comentados no livro, como o insano “filé de peixe vivo”.

ANDA – A China é protagonista do livro?

Dagomir Marquezi – Não tem como não ser. Neste início de século 21 a China ocupa todos os piores papéis possíveis na questão dos direitos animais. E não se preocupa muito em acabar com essa realidade. Nenhuma cozinha é mais cruel. Nenhuma medicina tortura e devasta tanto quanto a “tradicional” chinesa. O livro mostra como a atitude nefasta da China se refelte muito além de suas fronteiras, promovendo a extinção de elefantes e rinocerontes na África e provocando uma catástrofe para tubarões de todos os mares.

ANDA – Algumas das colunas têm um toque mais pessoal?

Dagomir Marquezi – Falo duas vezes do filme que mudou minha vida: o Planeta dos Macacos, o original de 1968 com Charlton Heston. Esse filme inverteu minha visão do mundo para sempre. E continua influente, agora com a série A Origem. Conto alguns episódios pessoais, como o dia em que passei um domingo exposto no recinto dos babuínos no Zoo de Bauru, em reportagem para a revista Playboy. E também meu encontro com o Idi, o gorila gentleman que tive a honra de conhecer de perto no zoo de Belo Horizonte. Faz parte do livro minha mensagem de despedida do grande Idi no dia de sua morte.

ANDA – Existem alguns capítulos que remetem à sua infância…

Dagomir Marquezi – Um deles eu chamo de “meu dia de Calvin” e descrevo uma tarde – inesquecível – em que resolvi aniquilar um formigueiro do quintal com uma bisnaga de água. Eu outro capítulo eu conto o dia em que um tio muito querido tentou me “transformar num homem” pedindo que atirasse num besouro que subia numa árvore. Quase fiquei cego nessa experiência.

ANDA – O que significa o “dicionário humano-animal”?

Dagomir Marquezi – É uma pequena coleção de nomes que os humanos usam para se ofender uns aos outros: “piranha”, “abutre”, “vaca”, “cachorro”, e por aí vai…

ANDA – E os capítulos que tratam de religião?

Dagomir Marquezi – Eu tenho minha formação espírita-kardecista e deixo claro que respeito todas as religiões. Como no caso da gastronomia, tudo o que eu sugiro são alguns limites éticos. Numa frase, acho que o respeito a tradições e rituais religiosos termina no momento em que provocam o sacrifício de animais. Simples assim. E o mesmo vale para os direitos humanos. Nenhuma religião pode justificar por exemplo a mutilação de clitóris em crianças. É um limite. Para chegar a Deus ninguém deveria enfiar um facão no pescoço de um carneiro. Não tem sentido.

ANDA – Moda é outro terreno visitado pelo livro.

Dagomir Marquezi – Esse é outro grande debate ético da nossa época. A busca da beleza numa roupa justifica transformar a vida e a morte de um animal num inferno? É o caso das roupas que envolvem peles.

ANDA – Mas quem usa casacos de pele hoje em dia?

Dagomir Marquezi – Alguns estilistas insistem em classificar essa indústria cruel de “tendência” nos seus desfiles. Isso, na chamada “alta costura”. Mas o pior está acontecendo com milhões de cães, gatos e coelhos que passam horrores para enfeitarem golas e detalhes de roupas populares. Made in China, só para não variar…

ANDA – Eu Sou Animal é seu primeiro livro em formato digital? O que você tem a dizer sobre essa experiência?

Dagomir Marquezi – Trabalhei no sentido de ser auto-sustentável. Eu escrevi, editei, desenhei, produzi a capa, realizei a edição digital. A única ajuda real que tive foi uma revisão da minha irmã Diva Marquezi. Quero aprofundar cada vez mais a experiência dessa auto sustentabilidade.

ANDA – Mas ele não vai ser editado em papel?

Dagomir Marquezi – Se alguma editora se interessar. Mas não quero mais depender disso. Sou um entusiasta de primeira hora do livro digital. Eu pessoalmente não compro livros de papel há muito tempo.

ANDA – Uma parte da renda será destinada à ANDA?

Dagomir Marquezi – Sim, combinei de dar para a Agência uma porcentagem do que ganhar com cada livro. Afinal, a ANDA foi a razão para que eu escrevesse esses textos. Tenho uma coluna na ANDA desde a sua criação. Ainda que compareça muito pouco. Acho uma ideia pioneira, muito corajosa e ousada da Silvana Andrade. Não existe nada igual à ANDA no mundo inteiro.

ANDA – Quem são os “amigos e amigas” citados na dedicatória?

Dagomir Marquezi –  Alguns dos animais com quem eu cruzei nos caminhos desta vida: alguns gatos, alguns cães, um hamster, um passarinho e um gorila.

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