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CALOR EXTREMO

20 mil galinhas morrem sufocadas após queda de energia em criadouro no Paraná

Falhas e oscilações no fornecimento de energia derrubaram o gerador da propriedade e deixaram as aves presas em um galpão sem ventilação.

6 de março de 2026
Júlia Zanluchi
2 min. de leitura
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Foto: Márcio Borgo

Onde antes havia o barulho constante de milhares de galinhas amontoadas, restou apenas o calor preso dentro do barracão metálico. Em poucos minutos, a falta de ventilação transformou o espaço fechado em uma armadilha térmica para cerca de 20 mil aves criadas para a indústria da carne em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná.

Quando a energia falhou, na terça-feira (03/03), o sistema de climatização parou. O galpão rapidamente se transformou em uma estufa. Com milhares de corpos comprimidos em um espaço planejado para produção intensiva, o calor e a falta de ar se tornaram fatais. Em cerca de 20 minutos, praticamente todas as galinhas estavam mortas.

As aves tinham 26 dias de criação e faltavam 18 dias para serem mortas. Segundo os proprietários, o lote estava alojado em um dos três barracões da propriedade, cada um com capacidade para cerca de 20 mil frangos.

A energia já apresentava problemas perto do meio-dia, funcionando em “meia fase”, com tensão reduzida. A Companhia Paranaense de Energia (Copel) foi acionada e uma equipe terceirizada identificou um cabo rompido na rede.

Durante o atendimento, o fornecimento foi interrompido e houve oscilações no sistema. O gerador da propriedade chegou a entrar em funcionamento, mas não suportou a carga e desligou.

Nas fazendas de produção industrial de animais, eles ficam completamente reféns da tecnológica. Nesses ambientes, a vida dos animais está condicionada a equipamentos de ventilação, aquecimento e climatização que precisam funcionar ininterruptamente.

Quando algo falha, as consequências são imediatas e enormes. Sem possibilidade de fuga, sombra ou ventilação natural, milhares de aves podem morrer em minutos, em sofrimento extremo.

Tragédias desse tipo não são exceção dentro da indústria da carne intensiva. Elas são consequências da fragilidade de um modelo que concentra milhares de animais em espaços apertados, onde cada vida é reduzida a uma unidade de produção e cada morte é contabilizada apenas como prejuízo financeiro.

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