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'NEGLIGÊNCIA'

Tutora denuncia morte de cachorra em mutirão de castração no Distrito Federal

Tutora de Niebla diz que a cadela estava em perfeito estado de saúde antes do procedimento realizado em ação do Ministério do Meio Ambiente

19 de junho de 2026
João Paulo Nunes
4 min. de leitura
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Foto: Arquivo Pessoal

A professora de espanhol Delara Josefina Rojas, tutora da Shih Tzu Niebla, de 2 anos, acionou a Justiça do Distrito Federal e registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil (PCDF) após o animal morrer durante um mutirão de castração, realizado em 9 de junho de 2026. A ação social, organizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), ocorreu nas proximidades da Biblioteca Nacional de Brasília.

De acordo com o relato da tutora, o mutirão apresentou desorganização desde o início. Devido a uma falha no sistema do evento, a ficha de autorização cirúrgica de Niebla não foi impressa antes da operação, e o animal deu entrada no centro cirúrgico apenas com uma senha.

Castração, microchipagem e vacinação de cães e gatos foram oferecidos no evento do MMA, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Após horas sem informações claras — período em que funcionários teriam dito que a cadela apenas “demorava a acordar da anestesia” —, a equipe chamou a tutora com urgência para que assinasse a autorização retroativamente. Minutos depois, o óbito por parada respiratória foi confirmado. A acusação aponta que a assinatura foi colhida de má-fé, quando o animal possivelmente já estava morto.

Ao Metrópoles, o MMA explicou que o animal teve uma parada cardiorrespiratória após o procedimento e a equipe iniciou imediatamente as manobras de reanimação. Segundo eles, foram realizados quatro ciclos completos, sem que houvesse retorno da circulação espontânea.

De acordo com o ministério, após a ocorrência, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Distrito Federal (CRMV-DF) fiscalizou as instalações, os equipamentos e os protocolos adotados na unidade móvel utilizada na ação, e não identificaram inconformidades nos aspectos inspecionados.

A tutora de Niebla disse estar arrasada com a morte da cachorrinha. “Triste, com muita frustração, impotência. Sem minha cadela por negligência”, destacou.

A diretora do Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais, Vanessa Negrini, foi uma das líderes da ação e divulgou amplamente as ações sociais em parceria com o Centro Veterinário Paiol. Segundo a proprietária, nascida na Venezuela e moradora do Distrito Federal, a cadela estava em perfeito estado de saúde antes do procedimento.

O Juizado de Varas Especiais (JEC) se declarou incompetente para julgar a ação contra Vanessa Negrini e a Clínica Paiol e a tutora terá que buscar seus direitos na Justiça Comum.

Falhas na comunicação e mudança de regras

Delara ressaltou que a gravidade do descontrole administrativo ficou evidente no dia seguinte ao óbito (10 de junho), quando a tutora recebeu uma mensagem de texto automatizada dos organizadores com instruções para os “cuidados pós-operatórios” de Niebla, indicando que o sistema não havia registrado a morte do animal.

Além disso, a defesa da tutora aponta que foram alteradas as regras do projeto dois dias após o ocorrido.

Uma nova publicação feita no dia 11 de junho pelo MMA passou a proibir expressamente a inscrição de cães braquicéfalos de focinho achatado, mesma espécie da cachorra Niebla, nos mutirões. Para a tutora, a mudança tardia comprova que os organizadores operaram o animal sabendo dos riscos anatômicos, sem estrutura de suporte adequada, violando o dever de informação prévia ao consumidor.

Em suas redes sociais, a diretora do MMA, Vanessa Negrini também divulgou a recomendação da proibição de cães braquicéfalos. “Para a segurança do animal, não é recomendada a castração de raças braquicefálicos em mutirões”.

O caso foi denunciado como maus-tratos de animais e está sendo investigado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra os Animais (DRCA). A tutora de Niebla agora aguarda que se faça justiça após a morte do sua cachorra.

Nota do MMA:

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lamenta profundamente a morte de Niebla e manifesta solidariedade à sua tutora, que foi comunicada sobre o ocorrido ainda no local do procedimento pela equipe veterinária responsável.

Ao final do procedimento cirúrgico, o animal apresentou parada cardiorrespiratória. A equipe veterinária iniciou imediatamente as manobras de reanimação cardiopulmonar, realizadas em quatro ciclos completos conforme os protocolos de emergência, sem que houvesse retorno da circulação espontânea. Apesar de todos os esforços, não foi possível reverter o quadro.

O atendimento foi realizado no âmbito de mutirão de castração promovido em parceria com a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (FIOTEC), responsável pela contratação da empresa especializada que executou os serviços médico-veterinários (IG – Instituto Gestão), incluindo avaliação clínica, anestesia, cirurgia e cuidados pós-operatórios.

Após a ocorrência, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Distrito Federal (CRMV-DF) fiscalizou as instalações, os equipamentos e os protocolos adotados na unidade móvel utilizada na ação, sem identificar inconformidades nos aspectos inspecionados.

O MMA reafirma seu compromisso com o bem-estar animal e permanece à disposição para os esclarecimentos necessários.

Fonte: Metrópoles

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