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FRIO, FOME E MEDO

Situação dos animais na Ucrânia se torna crítica após 20 dias de conflito

15 de março de 2022
Bruna Araújo | Redação ANDA
4 min. de leitura
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Foto: Reprodução | Instagram | @uanimals.official

A invasão russa está próxima de completar 20 dias e os animais que estão presos na Ucrânia estão em situação de vulnerabilidade extrema. Apesar de todo esforço internacional para enviar recursos e suprimentos, a maioria dos abrigos está superlotada e foi afetada em maior ou menor grau por bombardeios. Há animais feridos, mortos e muitos estão vagando em meio aos escombros.

Sem energia elétrica, abrigos, santuários e zoos não têm aquecedores e os animais estão sofrendo com hipotermia. Em alguns locais, os animais estão se alimentando a cada três dias para economizar suprimentos, uma vez que não há previsão sobre o fim do conflito. Voluntários que estão se arriscando para salvar animais estão sendo mortos a tiros.

Foto: Reprodução | Instagram | @uanimals.official

O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia postou em seu Twitter as denúncias de ativistas pelos direitos animais que o exército russo está mirando propositalmente em zoos e abrigos de animais ucranianos. Há muitos cães e gatos feridos presos embaixo de escombros e pouca ajuda. Muitos suprimentos são recebidos pelas fronteiras polonesas e romenas.

Com o avaço do conflito, as principais rotas de fuga estão sendo destruídas e se tornando mais perigosas. A The Humane Society está apoiando organizações em defesa dos animais da Alemanha, Itália e Polônia na esperança de conseguir entregar suprimentos antes que se torne impossível entrar na Ucrânia. É uma verdadeira luta contra o tempo.

Foto: Reprodução | Instagram | @uanimals.official

Ameaça real

Bombas russas atingiram dois abrigos, um em Gorlovka e outro em Donetsk, ambos no leste da Ucrânia. Não há estatísticas oficiais, mas segundo informações do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW), muitos cães e gatos morreram, as estruturas dos locais sofreram sérios danos e muitos animais, apavorados, fugiram. Voluntários estão se dividindo entre resgatar os animais que correram em direção a zonas de confronto e cuidar dos animais que ficaram feridos com estilhaços.

A IFAW afirma que destinou cerca de £ 114.000 em ajuda de emergência e pede que outras organizações internacionais enviem suprimentos e auxílio. James Sawyer, diretor da entidade, afirma que, infelizmente, não é possível enviar voluntários para ajudar presencialmente, o que, sem dúvidas, seria de grande valia nesse momento. “A coisa mais útil agora é fornecer recursos aos grupos locais. Não podemos colocar botas no chão, é muito perigoso”, disse ao The Mirror.

Foto: Reprodução | Instagram | @uanimals.official

O abrigo Holivka, localizado em Gorlovka, acolhe aproximadamente 300 animais e foi gravemente afetado. “Os funcionários dos abrigos ainda estão no local e forneceremos recursos para que eles possam continuar cuidando dos cães. As condições são muito difíceis”, disse James, que está em contato direto com a equipe do local. Os voluntários que aceitaram arriscar suas vidas para proteger os animais contam que não há energia elétrica e não podem fazer fogueiras.

O abrigo Pif, em Donetsk, foi o que sofreu mais danos, com dezenas de cães e gatos mortos e muitos animais feridos. O local acolhe 800 animais e está lutado para se manter de pé. A maior preocupação dos voluntários é a falta de suprimentos. Com o dinheiro que receberam, eles conseguiram comprar poucos estoques de fornecedores locais, mas se a guerra se prolongar por muito mais tempo, os animais ficarão sem comida e medicamentos.

Foto: Reprodução | Instagram | @uanimals.official

James afirma estar surpreso com os ataques russos, que não estão poupando hospitais e abrigos, zonas consideradas neutras. “É bastante incomum vermos abrigos de animais sendo atacados de forma gratuita e covarde. Eles não são particularmente um alvo de guerra”. Apesar das dificuldades, ele esclarece que não deixará de ajudar. “Estamos trabalhando duro globalmente nessa questão. Continuaremos muito comprometidos com os animais”, pontuou.

O clima nos abrigos é de tensão. Voluntários explicam que os cães e gatos mantidos nos locais estão desenvolvendo sinais de intenso sofrimento emocional e muitos estão buscando lugares para se esconder. Eles também sentem a tensão que envolve toda a equipe e estão extremamente introspectivos. “Queremos muito paz. Estamos extremamente cansados ​​mental e fisicamente”, finalizou uma voluntária.

Foto: Reprodução | Instagram | @uanimals.official

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