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Recolhidos pela prefeitura, cães esperam até 7 anos por adoção

9 de junho de 2015
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Foto: Divulgação
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Em um canil na zona norte de São Paulo, cerca de 300 cães recolhidos das ruas pela prefeitura aguardam alguém que queira adotá-los.
Em média, 55 cães são adotados todos os meses, mas alguns, mais velhos ou considerados menos bonitos, ficam “encalhados” ou são devolvidos por adotantes insatisfeitos.
No Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), onde operava a extinta carrocinha da cidade, estes cães vivem em canis de 6 m², com uma média de 2 m² de espaço para cada cachorro de médio porte. Se forem filhotes ou cães menores, o número pode chegar a cinco ou seis por canil (a intenção é não separar filhotes da mesma ninhada, por exemplo).
Dos 296 cães que não foram adotados no centro, 60% foram internados em 2012 ou antes —ou seja, estão lá há mais de três anos.
No caso de dez deles, isso significa uma espera de sete anos, já que estão lá desde 2008.
Ao contrário do que ocorria antes, quando qualquer cão solto nas ruas podia ser recolhido e muitos eram mortos pelo centro, hoje são levados apenas os cães agressores ou em situação de risco. A morte induzida só acontece em último caso, justificada por laudo técnico.
Geralmente, os filhotes são adotados no primeiro dia em que são liberados. Cães brancos também têm maiores chances, assim como os de menor porte. Os mais velhos, negros e de grande porte tendem a sobrar, segundo Fernando Hosomi, veterinário do CCZ.
Entre os cães que esperam há anos por uma adoção estão Otto, cão branco, de grande porte, que mora no CCZ desde 2008; Pé com Pano, cão preto de três pernas, e Angel, que é cadeirante e usa rodinhas para se locomover.
Foto: Divulgação
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COM CARROCINHA, MAS SEM SABÃO
O CCZ foi criado em 1973, quando a cidade passava por um surto de raiva —mas, segundo dizem, não exatamente por causa do surto.
A ideia do centro surgiu após um acidente, reza a história eternizada pelos funcionários do local. A mulher do então prefeito, José Carlos de Figueiredo Ferraz, foi mordida por um cachorro em um clube, o que motivou o político a criar um lugar para recolher os cachorros da cidade.
São Paulo passava, na época, por uma epidemia de raiva, cujo auge aconteceu em 1969. Quando foi criado o CCZ, as viaturas da carrocinha recolhiam por volta de 300 cães por dia. A maioria era morta em uma câmara de descompressão, uma medida justificada pela necessidade de controlar a doença.
Nessas câmaras, centenas de cães eram presos e o ar era retirado do ambiente, até que todos morressem sufocados. Depois disso, as carcaças dos animais não eram usadas para fazer sabão, como alguns imaginam, mas sim incineradas, o que acontece até hoje quando animais morrem no centro.
Em 1978, uma média de 4.300 cães eram mortos todos os meses. Além destes, 1.300 eram resgatados —após serem recolhidos, os tutores ou interessados tinham um prazo de três dias para resgatar seus animais.
A forma de tratar os cães começou a mudar em 1983, quando houve a última morte animal causada por raiva. Já antes disso, alguns cães saudáveis eram separados para adoção, tendência que aumentou com os anos e acabou por se consolidar como uma das atividades do centro.
Em 2002, o CCZ passou a adotar a injeção letal para matar os animais. Apenas em 2008 foi promulgada uma lei estadual que “veda a eliminação da vida de cães e gatos”, limitando a morte induzida a casos estritamente necessários.
COMO ADOTAR?
Qualquer maior de 18 anos pode adotar um cão ou gato no CCZ após passar por uma entrevista com os funcionários, que identificam se a pessoa tem condição de manter o bicho em boas condições.
Há feiras de adoção esporádicas (em fins de semana, divulgadas com antecedência) e a possibilidade de adotar em qualquer momento indo ao centro.
Centro de Controle de Zoonoses (CCZ)
LOCAL: Rua Santa Eulália, 86, Santana
HORÁRIO: 9h às 17h (seg. a sex.) / 9h às 15h (sáb,, exceto feriados)
O QUE LEVAR:
– CPF;
– RG;
– comprovante de residência;
– coleira e guia para cães;
– caixa de transporte para gatos
TAXA: R$ 17,15
Fonte: Paraíba

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