
Um estudo divulgado neste mês pela revista internacional Studies on Neotropical Fauna and Environment revela crescimento no número de registros de primatas com leucismo nas florestas sul-americanas.
“O leucismo é uma característica genética hereditária que é caracterizada pela ausência total ou parcial de pigmentação corporal, uma condição raramente observada em mamíferos. Como resultado, os indivíduos apresentam coloração total ou parcialmente branca, pálida ou amarelada. Essa característica é controlada por genes recessivos de baixa frequência na natureza e pode indicar endogamia em populações pequenas ou isoladas”, explica o pesquisador do Instituto Nacional da Mata Atlântica, Lucas Gonçalves, coordenador do estudo.
Ao todo, o estudo identificou 23 indivíduos de oito espécies distintas de primatas com casos de leucismo entre os anos de 2008 e 2024. Desses, 12 registros são inéditos para a ciência. Entre os registros inéditos, destaca-se um sagui-de-tufo-preto (Callithrix penicillata), espécie introduzida na Mata Atlântica, observado em Petrópolis (RJ), e vivendo em um grupo composto por outros indivíduos de coloração normal. Outro indivíduo da mesma espécie, encontrado em Minas Gerais, foi fotografado carregando filhotes, indicando sucesso reprodutivo apesar da alteração de coloração. Outro caso inédito é de um macaco-aranha (Ateles hybridus) da Amazônia.
Os casos foram reunidos a partir de artigos científicos, estudos de campo e registros de ciência cidadã, em que o público em geral faz e compartilha os registros em redes sociais e plataformas abertas como Instagram e iNaturalist.
“O uso disseminado e crescente de telefones móveis que possibilitam efetuar e compartilhar os registros – com data e coordenadas geográficas exatas – tem contribuído para o maior conhecimento de casos de leucismo em primatas e na fauna em geral. Esse esforço colaborativo entre comunidade científica e público em geral é essencial para que possamos compreender os processos que influenciam essa condição em populações silvestres”, ressalta Gonçalves.
O estudo – desenvolvido em colaboração com pesquisadores de várias instituições do Brasil e parcerias internacionais com instituições da Colômbia e Estados Unidos – destaca que os fatores ambientais associados à essas alterações ainda são pouco compreendidos. A fragmentação de habitats, a poluição ambiental, a alimentação dos animais e os eventos de hibridação entre espécies são algumas hipóteses. Mais da metade dos indivíduos com leucismo foi encontrada em ambientes urbanos ou periurbanos, o que pode sugerir possíveis relações entre a frequência dessa condição genética nas populações de áreas com maior influência humana.
Fonte: Gov.br




