Por Wagner Ferreira ** (em colaboração para a ANDA)
Peritos da Polícia Civil de Teixeira de Freitas realizaram uma perícia preliminar no Condômino Atlântico Ville, nessa quarta-feira (2), para constatar se os tiros, efetuados pelo tenente da Polícia Militar, Wilson dos Santos Júnior, que mataram o cão da advogada Bruna Holtz, em junho, ofereceram risco à vida da guardiã do animal. O pedido foi feito pelo promotor Gilberto Campos, que acompanha o caso.
Para Campos, os tiros disparados contra o cachorro poderiam ter atingido Bruna. “Os disparos foram efetuados muito próximo ao corpo da tutora do animal, então, o risco de se matar a mulher existe, por isso, pedi que isso fosse trabalhado cientificamente, para que pudéssemos ter uma evidência técnica avaliar o risco sofrido pela senhora”, disse o promotor ao site Sul Bahia News.
Ainda segundo o site, os peritos revelaram que a perícia realizada no local do crime é inicial e que só mostrará o momento em que o policial atirou, mas não inclui o início da discussão, nem quando, após os disparos, o atirador foi atrás da mulher. “Será feito um estudo de outras partes da imagem para saber se a motivação, junto com a posição dos envolvidos, tem alguma possibilidade da mulher sair ferida”, disse o perito Paulo Libório.
A arma do crime não foi periciada, já que o PM não a apresentou à polícia científica. Por conta disso, ainda não é possível precisar quantos disparos foram efetuados, apesar de terem sido encontrados três cápsulas no local, o que dá a ideia de terem sido pelo menos três tiros.
Moção de Repúdio – Na Câmara Municipal de Teixeira de Freitas, uma Moção de Repúdio ao policial, proposta pelo vereador Edinaldo Rezende (PT), foi aprovada por unanimidade pelos vereadores.
O vereador e também policial militar, Moacir Souza (PSD), que é ex-presidente da Associação dos Praças Policiais Militares do Extremo Sul da Bahia (Apratef), disse, durante seu pronunciamento na sessão da Câmara do dia 16 de junho, três dias após o crime, que ação do tenente, que resultou na morte do cachorro Apollo, não é surpresa para ele. Ao repudiar o ato, o parlamentar afirma que o tenente tem um histórico de comportamento violento, inclusive com o próprio edil, quando presidia a Apratef.
Souza lembrou ainda de uma confusão, que envolveu subordinados do tenente e um dos alunos do Colégio da Polícia Militar da cidade, local onde o PM trabalhava e foi afastado após o caso ganhar repercussão. ” Ele precisa de apoio familiar, acompanhamento médico e espiritual”, completou.
Presente à Câmara, o Movimento Nossa Arca solicitou a elaboração de projetos em defesa dos animais e mais compaixão por parte da sociedade.
Para a presidente da ONG, Christiane Ferreguett, o caso de Apollo não é o primeiro. Em abril deste ano, dois crimes de maus-tratos foram registrados na Polícia Civil de Teixeira de Freitas. “Existem outros casos que não ganharam tal repercussão, mas precisamos nos mobilizar para que eles não voltem acontecer”, declarou Christiane.
Em Salvador, a ativista pelos direitos animais e vereadora da cidade, Ana Rita Tavares (PEN), também se mobilizou em favor das vítimas: o cão Apollo e sua tutora, a advogada Bruna Holtz. “Estamos dando todo o apoio às vítimas desse crime terrível. Em Brasília, nos mobilizamos com integrantes da CPI dos Animais, que incluiu em sua pauta de investigações esse fato lamentável na nossa sociedade”, disse Ana Rita.
O governador da Bahia, Rui Costa (PT), chegou a pedir a exoneração do tenente Wilson Pedro dos Santos Junior, mas a PM não confirma a exclusão do policial dos quadros da corporação, que estaria realizando trabalhos administrativos.
** Com informações do site Sul Bahia News