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Os corvos da cidade de Lisboa estão desaparecendo

5 de julho de 2009
3 min. de leitura
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foto de um corvo

Sabia que os corvos que se alimentam de sementes difíceis de partir as atiram para o meio de uma estrada e esperam que os carros as esmaguem para então as comerem? Ou que algumas espécies são capazes de fabricar e utilizar pequenos instrumentos para alcançarem uma refeição desejada?

Apesar das surpreendentes provas de inteligência, o corvo, um dos símbolos da cidade de Lisboa, em Portugal, é cada vez mais raro de se observar nos céus da capital. O uso de venenos e pesticidas e o abate são as razões para a diminuição do número de exemplares. Portugal é mesmo um dos poucos países da Europa onde a espécie continua a regredir, de acordo com um estudo da Birdlife International.

Não está em vias de extinção, é verdade. Mas aparece no Livro Vermelho dos Vertebrados como ‘Quase Ameaçada’, não se sabendo ao certo o número de casais existentes em Portugal. Estima-se que sejam menos de dez mil indivíduos.

“O corvo é uma espécie muito importante, mas não é das mais ameaçadas e, por isso, com os escassos recursos destinados à área do ambiente e conservação, não tem sido uma prioridade”, diz Gonçalo Elias, que faz observação de aves há mais de 20 anos e que, no ano passado, lançou um portal na Internet – Avesdeportugal.info – com informação sobre mais de 400 aves.

Em Portugal, o corvo, embora cada vez mais raro, pode ser visto em diversas zonas, com exceção daquelas mais densamente povoadas. Em Lisboa, por exemplo, “só encontramos corvos no cabo Espichel e no Algarve; o mais comum é vê-los no cabo de S. Vicente”. No Interior têm uma distribuição mais contínua.

O corvo adapta-se com facilidade a vários habitats. Tanto pode ser encontrado em zonas quentes do Mediterrâneo, como nos climas frios do Norte da Europa.

“Uma das razões que leva a maior parte das aves a migrar é a falta de alimento durante o inverno. Os corvídeos, de modo geral, não migram; alimentam-se daquilo que encontram, vão variando de dieta ao longo do ano”, explica Gonçalo Elias.

Devido aos seus hábitos alimentares e ao negro brilhante das suas penas, são vistos, na mitologia, como portadores de maus presságios, surgindo muitas vezes associados a bruxas e feiticeiras. E à morte.

Algumas lendas contam que, quando uma pessoa morre, um corvo carrega sua alma até o paraíso. Por isso, dois corvos figuram nas armas de Lisboa, pousados numa caravela, um à proa e outro à popa, vigiando o corpo de S. Vicente, o padroeiro da cidade, durante a viagem dos ossos do santo desde Sagres até Lisboa.

Aliás, não há muitos anos, era comum ver corvos nas tabernas dos bairros típicos da capital, passeando impávidos pelos passeios ou imitando as vozes dos clientes mais habituais.

Hoje, temido e mal-amado por muitos, o corvo é muitas vezes morto pelos caçadores e agricultores sem qualquer razão ou por simples prazer. “Os agricultores confundem corvos com gralhas e, em muitos casos, por não simpatizarem muito com estas aves, acabam por abatê-los, mesmo sendo uma espécie protegida”, salienta Gonçalo Elias. Por outro lado, a utilização intensiva de pesticidas na agricultura acaba por ser responsável pela morte de muitas aves, que absorvem os venenos através dos animais de que se alimentam.

“Os corvos, tal como outras aves necrófagas, têm um papel muito importante no equilíbrio ambiental”, lembram os biólogos. Mas os poucos estudos feitos sobre a ave mostram que, em Portugal, pouco ou nada está sendo feito para proteger a espécie e evitar que os corvos se juntem à lista negra das aves em extinção.

Devíamos seguir o exemplo da Inglaterra, onde a ave é protegida pela própria rainha. Sempre que um dos famosos corvos da Torre de Londres morre ou desaparece, é obrigação da Guarda Real proceder à sua substituição imediata. Tudo para que não se realize a profecia: Londres desaparecerá quando, na Torre, morrer o último corvo.

(Com informações do DN Ciência)

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