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RELATOS

Onça puxada pelo rabo em rodovia tinha sido atropelada: 'Estava bem assustada', diz testemunha

Equipes da Polícia Militar Ambiental, veterinários e biólogos fizeram buscas na região, mas a onça ainda não foi localizada.

8 de julho de 2026
Redação ANDA
3 min. de leitura
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Foto: Reprodução/redes sociais

A onça-parda flagrada sendo puxada pelo rabo na Rodovia Cornélio Pires (SP-127), em Piracicaba (SP), na manhã de ontem (07/07), havia acabado de ser atropelada e apresentava sinais de sofrimento, segundo relato da testemunha que registrou as imagens. De acordo com o homem, identificado apenas como Matheus, a onça estava assustada, demonstrava dificuldade para se locomover e aparentava sentir dor após o impacto. Até o momento, equipes mobilizadas para resgatá-la ainda não conseguiram localizá-la.

O depoimento acrescenta informações relevantes ao caso, que ganhou repercussão nacional após a divulgação do vídeo em que um motociclista arrasta a onça pelo rabo até o canteiro central da rodovia. Embora a intenção aparente tenha sido retirá-la da pista para reduzir o risco de novos acidentes, especialistas alertam que qualquer manejo de grandes mamíferos silvestres deve ser realizado exclusivamente por equipes treinadas, para proteger a integridade do animal.

Segundo Matheus, ele seguia de Rio das Pedras para Piracicaba quando percebeu uma movimentação incomum na pista. Inicialmente, não conseguiu identificar do que se tratava. Em seguida, viu que o veículo à sua frente, apontado por ele como o responsável pelo atropelamento, havia parado no acostamento.

Ao observar a cena mais atentamente, identificou uma onça-parda adulta caída na rodovia. Conforme seu relato à EPTV, ela permaneceu viva após a colisão, mas aparentava estar bastante abalada pelo impacto. A testemunha afirmou que a onça demonstrava fragilidade, permanecia assustada e apresentava dificuldade para se mover, indícios compatíveis com possíveis lesões traumáticas, embora o estado clínico não tenha sido confirmado por avaliação veterinária.

Ainda de acordo com Matheus, os veículos interromperam momentaneamente o trânsito no local. Em seguida, um caminhoneiro removeu a onça para o canteiro central da rodovia, momento registrado no vídeo que circulou nas redes sociais e provocou intenso debate sobre a forma como animais silvestres feridos são tratados após acidentes em estradas. Segundo a testemunha, logo após ser deslocada, a onça conseguiu se levantar e deixou o local.

Durante a tarde, uma força-tarefa formada por equipes da Polícia Militar Ambiental, médicos-veterinários de uma faculdade e biólogos realizou buscas na região para tentar localizar a onça. Até o fechamento da reportagem, porém, ela ainda não havia sido encontrada, e não havia informações oficiais sobre seu estado de saúde.

A ausência de localização preocupa porque animais silvestres atropelados frequentemente conseguem deixar a pista mesmo gravemente feridos. O comportamento é comum em espécies de grande porte, que tendem a buscar áreas de vegetação para se esconder após sofrerem traumas. Sem atendimento rápido, entretanto, lesões internas, fraturas e complicações decorrentes do estresse podem comprometer as chances de sobrevivência.

Casos como esse também mostram um problema que se repete em diferentes regiões do país. A expansão da malha rodoviária, associada à fragmentação dos habitats naturais, obriga muitos animais a atravessar estradas em busca de alimento, água ou parceiros reprodutivos. A consequência é o aumento dos atropelamentos de fauna, um dos principais fatores de mortalidade de diversas espécies silvestres no Brasil.

Além dos desafios relacionados à infraestrutura viária, o caso mostra a importância da informação para a população. Diante de um animal silvestre ferido, a orientação dos órgãos ambientais é manter distância, sinalizar a via para reduzir o risco de novos acidentes e acionar imediatamente a Polícia Militar Ambiental, o Corpo de Bombeiros ou outros serviços competentes. A tentativa de manipular o animal sem capacitação pode agravar lesões, provocar reações imprevisíveis e dificultar o trabalho das equipes de resgate.

Enquanto o paradeiro da onça permanece desconhecido, o caso segue como um retrato dos múltiplos desafios enfrentados pela fauna brasileira em paisagens cada vez mais modificadas pela atividade humana. A proteção efetiva desses animais depende não apenas da resposta rápida aos acidentes, mas também de investimentos contínuos em planejamento viário, conectividade entre fragmentos florestais, monitoramento da fauna e educação ambiental, integrando ciência, gestão pública e participação da sociedade para reduzir riscos e ampliar as possibilidades de coexistência entre seres humanos e vida silvestre.

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