As penas de faisão e outras aves, que costumam ser sinônimo de luxo e ostentação na Avenida, foram abandonadas por rainhas e musas em prol da economia e do meio ambiente nos dias de desfile da serie Ouro do carnaval carioca.
A substituição faz parte da tentativa de baratear as fantasias e também evitar o uso de materiais de origem animal e ganhou força com o intervalo de dois anos sem desfiles por causa da pandemia.
“No Carnaval as pessoas tem uma concepção de que você não está rico se você não usa pena. E as pessoas precisam descontruir isso”, afirmou Egili Oliveira, rainha de bateria da Acadêmicos de Vigário Geral.
A fantasia com a qual ela cruzou a avenida diante dos ritmistas contou com mil penas sintéticas.
Darlin Ferrattry, rainha de bateria do Império Serrano, última escola a desfilar na madrugada desta sexta, veio com figurino confeccionado pelo estilista Henrique Filho, com stylist de Pedro Agah, o figurino contém 87 mil cristais e penas sintéticas de faisão.
Monique Rizzeto, musa da Estácio de Sá, desfilou com uma fantasia com cabelo orgânico sintético em vez de crina de cavalos.
“Acho importante a gente ter essa visão. A questão financeira está alta e depois de dois anos de pandemia a gente tem que repensar velhos hábitos”, destacou Monique.
Luciana Melani, musa do Império Serrano e rainha da Em Cima da Hora, destaca que tanto o fator ambiental quanto econômico pesam na opção pelas penas artificiais.
“São as duas coisas. Eu desfilo há 11 anos. Porque são 11 anos que eu desfilo. Todo ano é mais caro. Acho que é por conta da escassez, da supervalorização. Isso que tem que comprar importado. Vai inflacionando. E tem um tempo que as artificiais existem e a qualidade está melhor. Essas pedras que a gente cola nas penas aderem melhor na artificiais. O único inconveniente é que não dá para reaproveitar da mesma forma”, contou Luciana.
Fonte: G1