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Morte de cães e gatos pode ter relação com vacina em campanha, diz ministério

10 de setembro de 2010
3 min. de leitura
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Foram identificadas 79 mortes de animais em São Paulo,
no Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte

A Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde informou na última quarta-feira que pode haver relação entre a morte de cães e gatos com a vacina usada nas campanhas de imunização contra raiva. Foram identificadas 79 mortes de animais vacinados em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte – 41 de cães e 25 de gatos. No Estado de São Paulo, a vacinação está suspensa desde agosto.

De acordo com a secretaria, os casos podem estar relacionados à vacinação, já que os sintomas apareceram 72 horas após a aplicação da vacina, ou a reações individuais de cada animal. Por isso, os registros continuam sob investigação para identificação da causa específica. “Apesar de estarem temporalmente associados à vacinação, esses eventos permanecem sob investigação”, diz a nota do ministério.

Mesmo sem resultados conclusivos, o ministério mantém a recomendação de continuidade da vacinação de cães e gatos contra raiva, porque o número de mortes está abaixo do esperado. “Com base nas informações disponíveis até o momento, não há evidências suficientes para recomendar a interrupção da campanha antirrábica”, afirma a nota.

Segundo a pasta, a partir deste ano começou a ser usada a vacina de cultivo celular, que garante imunidade por 12 meses, é mais segura e atende às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda de acordo com o ministério, a empresa Biovet, fabricante da vacina mais usada nas campanhas públicas, tem registro e licença no Ministério da Agricultura há oito anos e comercializa o produto em clínicas veterinárias particulares de todo o País.

Desde junho, 17 Estados e o Distrito Federal vacinaram, juntos, mais de 1,37 milhão de animais. Desse total, 14 Estados e o DF utilizam somente a vacina do laboratório Biovet. Roraima, Minas Gerais e Bahia usam doses feitas por outra empresa. Sobre a suspensão da campanha em São Paulo, o ministério informou que a medida será reavaliada dentro de duas semanas.

Foi confirmado na última quarta o primeiro caso de raiva humana transmitido por cão em 2010. O paciente foi atacado, há três meses, por um animal infectado na cidade de Chaval, no Ceará. Ele está sendo submetido ao mesmo tratamento antirrábico aplicado em um paciente de Floresta (PE), em 2008, que se tornou o terceiro sobrevivente do mundo à raiva humana. Até junho deste ano, foi registrada uma morte por raiva humana no Rio Grande do Norte, transmitida por um morcego.

A raiva é uma doença viral transmitida ao homem por mordida, lambida ou arranhão de animal infectado, principalmente cães, gatos, saguis e morcegos. A taxa de letalidade entre humanos é próxima de 100%. Em 1990, foram notificados 73 casos de raiva humana no Brasil. Desde 1995, o número passou a cair, chegando a dois casos no ano passado, de acordo com o governo federal. O ministério atribui a queda a ações de vigilância, como a vacinação de cães e gatos.

Fonte: Estadão



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