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TORTURA

Milhões de salmões morreram sufocados e intoxicados em fazendas da Escócia; documentos mostram bastidores da indústria

Relatórios revelam mortes em massa por falhas operacionais, gás tóxico e ausência de fiscalização rigorosa

27 de maio de 2026
Nilson Cortinhas
2 min. de leitura
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Criação de slmão na Escócia. Foto: Richard Johnson/Alamy

Milhões de salmões morreram em fazendas da Escócia após episódios de sufocamento e intoxicação por gás tóxico, segundo documentos divulgados após decisão do órgão britânico de acesso à informação. Os relatórios revelam falhas operacionais, ausência de punições e ampliam críticas sobre transparência, bem-estar animal e fiscalização na indústria do salmão.

Os documentos pertencem à Agência de Saúde Animal e Vegetal do Reino Unido (APHA), que tentou manter os relatórios sob sigilo, alegando danos comerciais às empresas envolvidas. A justificativa foi rejeitada pelo Information Commissioner’s Office (ICO), responsável por garantir o acesso público à informação, segundo reportagem do The Guardian.

Entre os casos revelados está uma fazenda da empresa norueguesa Mowi, maior produtora de salmão da Escócia. Em 2021, mais de 100 mil peixes morreram sufocados após a interrupção do fornecimento de oxigênio. No mesmo local, um acúmulo de sulfeto de hidrogênio matou mais de 1 milhão de peixes em apenas 10 horas. Apesar dos números assustadores, não houve sanções, diz o documento.

Outra fazenda, operada pela Bakkafrost e certificada pela RSPCA, registrou a morte de 600 mil peixes em 2022 pelo mesmo problema. Meses depois, um novo episódio matou mais de 1,5 milhão de salmões. Novamente, sem medidas de fiscalização, diz a reportagem.

Os relatórios também mostram falhas na comunicação às autoridades sanitárias. Em uma fazenda de trutas, cerca de 70 mil peixes morreram sem que os óbitos fossem reportados ao órgão responsável pela saúde animal, segundo o relato.

“A cultura de sigilo da APHA precisa acabar. O público tem todo o direito de saber o que está acontecendo nessas fazendas e se os reguladores estão realmente fazendo seu trabalho”, avaliou a diretora executiva da Animal Equality UK, Abigail Penny. A divulgação ocorre em meio ao aumento das críticas internacionais à salmonicultura intensiva, especialmente por problemas ligados à mortalidade elevada, doenças, uso de antibióticos e impactos ambientais nos ecossistemas marinhos.

Recentemente, a organização Animal Equality divulgou imagens registradas em uma unidade da Scottish Sea Farms que, segundo a entidade, mostram peixes com feridas abertas, cegueira, infestações severas de piolhos-do-mar e deformidades. Em resposta ao The Guardian, a associação Salmon Scotland afirmou que as denúncias de ativistas “frequentemente são retiradas de contexto” e que as fazendas escocesas operam sob “padrões líderes mundiais de bem-estar animal”.

Fonte: Um só Planeta

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