Mais de 700 golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico foram mortos em um único dia nas Ilhas Faroé, território autônomo da Dinamarca no Atlântico Norte, em um dos maiores massacres de cetáceos já registrados na região. Ao todo, 706 animais foram assassinados no dia 27 de maio durante três operações distintas de caça, número que representa mais de dois terços de todos os mamíferos marinhos mortos no arquipélago ao longo do ano anterior. A maior matança ocorreu em Tórshavn, capital do território, onde 406 golfinhos faleceram.
As mortes ocorreram durante o Grindadráp, conhecido como grind, uma prática herdada do período viking que continua sendo defendida e incentivada por autoridades locais. Durante as caçadas, golfinhos e baleias-piloto são perseguidos por embarcações, encurralados e forçados a nadar até enseadas rasas, onde são mortos para que sua carne e gordura sejam distribuídas entre a população.
De acordo com denúncias, além do número absurdo de animais mortos, os caçadores não usaram lanças espinhais, equipamento exigido pela legislação feroesa para reduzir a agonia dos golfinhos. Na ausência desses instrumentos, eles teriam sido mortos apenas com facas, o que aumenta o tempo de sofrimento.
Testemunhas também relataram cenas de extremo sofrimento, incluindo golfinhos esmagados contra rochas, atingidos por hélices e atropelados por embarcações durante a perseguição.
A ONG Sea Shepherd, que mantinha observadores nas ilhas, classificou os acontecimentos como um caso de crueldade extrema. Dois integrantes da entidade foram presos após serem acusados por caçadores de interferir nas operações, embora a organização afirme que eles apenas documentavam os eventos.
A Sea Shepherd também denunciou a realização de uma terceira caçada que, segundo a entidade, teria sido mantida fora dos canais públicos de divulgação. “Os eventos que se desenrolaram esta semana não são uma tradição cultural em exibição. São cenas caóticas de extrema crueldade contra animais”, declarou Valentina Crast, diretora de campanhas da Sea Shepherd para as Ilhas Faroé.
A organização pediu que governos europeus adotem medidas para proibir definitivamente as caçadas.
A discussão sobre o grind se repete há décadas, mas continua provocando indignação internacional. Estimativas apontam que mais de mil cetáceos são mortos anualmente no arquipélago. Somente em 2025, foram registradas 814 mortes de baleias-piloto-de-aleta-longa e golfinhos-de-laterais-brancas. Além do sofrimento imposto aos indivíduos mortos, ativistas alertam que esses animais desempenham funções importantes nos ecossistemas marinhos e possuem ciclos reprodutivos lentos, o que torna suas populações particularmente vulneráveis à pressão humana.