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Mais de dois mil elefantes são assassinados em reserva Africana

28 de agosto de 2013
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Nos últimos dois anos, a Reserva Nacional do Niassa foi alvo de assassinato de cerca de dois mil e quinhentos elefantes, uma ação protagonizada por caçadores , na sua maioria parte provenientes de países dos Grandes Lagos, nomeadamente Tanzânia, Somália, Burundi, Nigéria, dentre outros.

Entretanto, dados oficiais indicam uma redução assinalável de casos relacionados com o conflito homem/fauna nos últimos meses naquela que é a maior reserva a nível do país, com uma área estimada em 42 quilómetros quadrados.

No ano passado, os caçadores assassinaram 110 elefantes, um número relativamente baixo quando comparado com os dos anos passados,  segundo as autoridades da reserva. Desde janeiro, foram assassinados vinte elefantes, contra 80 do mesmo período de 2012, em que os animais mais assassinados foram rinocerontes, búfalos e antílopes.

Apesar dessas redução, Cornélio Miguel, administrador da Reserva Nacional do Niassa, disse que se redobram esforços com vista a reduzir cada vez mais as ações dos caçadores, que indiscriminadamente dizimam elefantes e outros animais selvagens. Há estratégias de fiscalização que consistem no reforço da cobertura do espaço aéreo e terrestre: “estamos a conjugar todo o tipo de técnicas para estancar este fenômeno. Olhando para os atuais números de assassinatos, de alguma forma nos sentimos encorajados e continuaremos a apertar o cerco contra os matadores”.

Ainda no âmbito do reforço das ações de fiscalização, ele disse que foram recrutados 23 fiscais que estão assegurar o aumento de raio de cobertura, contando-se igualmente com a colaboração dos operadores das concessões dentro da reserva, com as comunidades e com a Polícia de Guarda-Fronteira.

Dos caçadores que protagonizam desmandos na Reserva do Niassa, constam alguns cidadãos chineses, que entram em território moçambicano e destroem a fauna, assassinando elefantes para extrair pontas de marfim. Há fiscais que, em troca de valores monetários e/ou outros benefícios, facilitam a entrada desses cidadãos na reserva, sendo que nos últimos dois anos pelo menos dez fiscais foram expulsos por alegado envolvimento nesses atos.

“A medida é para desencorajar aos outros fiscais a não pautarem por comportamentos adversos aos nossos princípios”, realçou Cornélio Miguel, para quem em conexão com os casos de assassinato de animais, foram apreendidas seis armas de fogo e as respectivas munições, nos últimos meses do ano em curso.

A despeito da caça, a biodiversidade na Reserva do Niassa está ameaçada, caso não sejam tomadas medidas urgentes para estancar o fenômeno de assassinato de animais. O local é também potencial em recursos florestais, daí que a tenção dos ilegais não é apenas virada para a fauna.

No ano passado por exemplo, foram capturadas nove motosserras na posse de indivíduos, na sua maioria estrangeiros, que tentavam desenfreadamente explorar a madeira para fins comerciais ao longo do distrito de Mecula.

Dados indicam que Moçambique perde anualmente cerca de 37 milhões de dólares devido à caça. Aliado a esta situação, as coutadas perdem mais de duas mil toneladas de carne por ano. Para a Reserva Nacional do Niassa, as perdas direttas para o Estado moçambicano, como resultado do assassinato de elefantes, são de 2.627 elefantes durante os anos de 2009 e 2011, com um prejuízo estimado em 23.06 milhões de dólares.

Na Reserva Nacional do Niassa existe uma população de elefantes estimada em mais de 12.500, de acordo com o censo de 2011, sendo que ainda este ano será realizado um trabalho de atualização de dados referentes a contagem dos animais, dentre outros aspectos inerentes ao funcionamento do lugar a que nos referimos.

*Esta notícia foi, originalmente, escrita em português europeu e foi mantida em seus padrões linguísticos e ortográficos, em respeito a nossos leitores

Fonte: Jornal Verdade

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