Na manhã desta quinta-feira (04/06), equipes de fiscais ambientais e policiais resgataram uma fêmea de macaco-prego que era mantida acorrentada em residência na cidade do Rio de Janeiro. A ação conjunta entre as equipes do Parque Nacional da Tijuca/ICMBio e do Comando de Policiamento Ambiental da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (CPAM-PMERJ) foi fruto de uma denúncia recebida pela plataforma FalaBR. Os donos da casa não apresentaram até o momento nenhuma documentação atestando a origem legal do macaco ou autorização do órgão ambiental para mantê-lo em cativeiro, o que indica que, além dos maus-tratos, trata-se de um animal vítima do tráfico ilegal.
O casal foi conduzido para a 7ª Delegacia de Polícia Civil, em Santa Teresa, mesmo bairro onde está localizada a residência dos infratores, onde prestaram depoimento. Os dois podem ser enquadrados pelo artigo 24 do decreto nº 6.514/2008 por “matar, perseguir, caçar, apanhar, coletar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida”. A multa prevista pode chegar a R$ 5 mil.
A fêmea de macaco-prego (Sapajus spp.) foi encontrada presa a uma corrente, com sua movimentação limitada a um espaço muito reduzido. Além disso, de acordo com nota do Parque Nacional da Tijuca, o animal demostrava fortes sinais de “humanização”, com um comportamento extremamente habituado às pessoas. O macaco foi destinado ao Instituto Vida Livre, onde suas condições e suas possibilidades de um dia retornar ao habitat natural serão avaliadas por profissionais especializados.
O último criadouro comercial de macacos-pregos do Brasil foi encerrado em 2024, com o resgate dos animais que ainda estavam lá no início deste ano. Desde então, não há nenhum estabelecimento com licença para vender macacos-pregos no país.
Canais de denúncia
Denúncias sobre tráfico, maus-tratos, abuso ou mutilação de animais silvestres pode ser feitas pela plataforma Fala.BR : https://falabr.cgu.gov.br/v2/manifestacoes/registrar e pelo Linha Verde do Disque Denúncia, no número 2253-1177 (que recebe tanto ligação telefônica quanto mensagens de WhatsApp).
Macaco não é Pet
Desde 2021, a Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr) lidera uma campanha para sensibilizar as pessoas de que macacos não são animais domésticos e não devem tentar ser domesticados. A mobilização destaca que primatas são animais sociais, que precisam interagir com outros da mesma espécie, e que a interação humana não substitui a convivência com seus iguais. Além disso, os macacos podem transmitir doenças para humanos, e vice-versa, e normalmente são vendidos filhotes, o que significa que são separados de suas mães enquanto ainda são dependentes – no caso do tráfico e da retirada ilegal da natureza, as mães normalmente são mortas.
Saiba mais na cartilha “Macaco não é pet”, elaborada pela SBPr.
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Fonte: O Eco