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RECOMEÇO

"Julie", a última elefanta de circo em Portugal, ganha nova vida em santuário

"A primeira residente do Santuário de Elefantes Pangea marca o fim da presença de animais selvagens nos circos portugueses e um passo decisivo para o bem-estar dos elefantes em toda a Europa", diz a organização

2 de julho de 2026
3 min. de leitura
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Foto: Pangeas Trust

O último elefante de circo em Portugal tornou-se a primeira moradora do Santuário Pangea, no Alentejo, marcando a inauguração do que é considerado o primeiro santuário de grande escala para elefantes da Europa. O anúncio foi feito nesta quinta-feira.

Em comunicado, a Pangea Trust informou que a elefanta, chamada Julie, já chegou ao Santuário Pangea, localizado nos municípios de Vila Viçosa e Alandroal, no distrito de Évora. A transferência ocorreu por meio de um acordo voluntário com o circo Victor Hugo Cardinali.

“A primeira moradora do Santuário de Elefantes Pangea representa o fim da presença de animais selvagens nos circos portugueses e um passo decisivo para o bem-estar dos elefantes em toda a Europa”, destacou a organização.

Segundo a Pangea Trust, com a chegada de Julie ao santuário, encerra-se a implementação da proibição do uso de animais selvagens em circos em Portugal.

“A lei foi aprovada em 2018 e entrou em vigor em 2024. No entanto, Julie não podia deixar o circo até que existisse uma solução regulamentada e uma instituição apta a recebê-la”, explicou a entidade.

Capturada ainda muito jovem na África Austral, Julie passou a integrar o circo Cardinali em 1988, onde foi explorada em apresentações por cerca de 40 anos. Ela deixou de se apresentar quando a proibição entrou em vigor, em 2024, ano em que também morreu seu último companheiro.

“Enquanto a família Cardinali avaliava o futuro de Julie, a Pangea concluía o processo de licenciamento para oferecer a ela um lar permanente”, afirmou a organização.

A Pangea Trust destacou que o santuário possui mais de 400 hectares e foi criado para oferecer aos elefantes, animais altamente inteligentes e sociais, espaço, autonomia e companhia para que possam viver uma vida digna.

“Julie terá liberdade para explorar seu novo ambiente no próprio ritmo, percorrendo uma vasta área de habitat natural, enquanto recebe os cuidados especializados de que necessita nos anos de vida que ainda tem pela frente”, ressaltou.

De acordo com a organização, em razão de seu histórico, Julie precisará de apoio para lidar com problemas de saúde e mobilidade comuns em elefantes de sua idade e com seu passado.

“Seus cuidados serão supervisionados pela equipe de especialistas da Pangea”, informou a entidade, acrescentando que Victor Hugo Cardinali continuará acompanhando de perto sua adaptação ao novo ambiente.

Ainda neste ano, Julie ganhará companhia com a chegada de Kariba, outra elefanta africana, também capturada na natureza e com cerca de 40 anos, que atualmente vive sozinha em um zoológico na Bélgica.

Citada no comunicado, a diretora-geral da Pangea, Kate Moore, afirmou que “trabalhar em parceria com os proprietários para encontrar a solução adequada é fundamental”. Ela lembrou que muitos circos e zoológicos europeus estão chegando ao ponto em que manter elefantes “já não é possível nem apropriado”, tornando necessária a existência de locais preparados para recebê-los.

Ao agradecer o “envolvimento contínuo” do circo Victor Hugo Cardinali durante todo o processo, Kate Moore afirmou que, agora, o foco da Pangea é “proporcionar à Julie a melhor qualidade de vida possível pelo tempo que lhe resta”.

Victor Hugo Cardinali, também citado no comunicado, falou sobre o vínculo que mantém com a elefanta e reconheceu que, embora a mudança não tenha sido fácil, “é a decisão certa para ela”, pois permitirá que ele continue acompanhando sua vida.

Considerado o primeiro grande santuário para elefantes da Europa, o espaço, que ainda não está aberto ao público, foi criado para acolher animais que viveram em cativeiro. O local terá capacidade para receber até 30 elefantes, e o investimento previsto é de 15 milhões de euros ao longo de aproximadamente dez anos.

Fonte: CNN Portugal

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