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TURISMO PREDATÓRIO

Jubarte é cercada por dezenas de embarcações em Ilhabela durante passeio de observação de baleias; vídeo

7 de junho de 2026
4 min. de leitura
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Foto: Reprodução/Redes sociais

Em plena temporada de baleias no litoral norte de São Paulo, uma baleia-jubarte foi cercada por dezenas de embarcações em Ilhabela, situação que gerou indignação entre defensores dos animais e especialistas em conservação marinha.

Imagens do episódio mostram barcos concentrados ao redor de um único animal, transformando o que deveria ser uma atividade de observação responsável em uma situação potencialmente estressante para uma espécie que percorre milhares de quilômetros durante sua migração anual.

Todos os anos, as jubartes deixam as águas geladas da Antártida e seguem em direção à costa brasileira. A viagem faz parte de um ciclo natural de sobrevivência e reprodução realizado há milhares de anos, muito antes da existência do turismo de observação. As baleias não visitam o litoral para servir de atração. Elas utilizam essas águas como rota migratória e área importante para seu ciclo de vida.

Por essa razão, a legislação brasileira estabelece regras específicas para a observação de cetáceos. As normas determinam limites de aproximação, velocidade reduzida das embarcações e procedimentos destinados a minimizar interferências no comportamento dos animais. O objetivo é garantir que a atividade turística não se transforme em perseguição ou assédio.

Especialistas alertam que a aproximação excessiva de barcos pode provocar alterações comportamentais, aumentar o gasto energético dos animais e interferir em atividades essenciais como descanso, deslocamento, alimentação e comunicação. Baleias dependem intensamente do som para se orientar e interagir com outros indivíduos, tornando-se particularmente sensíveis ao ruído produzido pelas embarcações.

O crescimento da popularidade do turismo de observação em Ilhabela representa uma importante oportunidade para promover a conservação marinha e aproximar as pessoas da vida selvagem. No entanto, defensores dos direitos animais ressaltam que a atividade só pode ser considerada ética quando coloca o bem-estar dos animais acima do interesse comercial ou da busca por imagens mais próximas.

A cena de uma baleia cercada por dezenas de barcos serve como um alerta para a necessidade de fiscalização e conscientização. Contemplar um animal selvagem é um privilégio. Respeitar seu espaço é uma obrigação.

 

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