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Gatos encontram mais dificuldade para serem adotados do que os cães

4 de setembro de 2010
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Os gatos Tigrão, Pirata e Anita foram abandonados dentro de uma caixa de papelão. Estavam com problemas respiratórios e infecção nos olhos. Apesar de totalmente cega devido a uma infecção, Anita conseguiu ser adotada. Tigrão e Pirata não tiveram a mesma sorte. Enquanto um novo tutor não vem, eles permanecem no Hospital Animal Center, parceiro da ONG Amimais, em Natal (RN). Dividem uma jaula há 11 meses. Desde que foram resgatados em outubro de 2009, são mantidos pela família que os encaminhou para a clínica. Depois de pagar diária e custear o tratamento dos dois gatos por 11 meses, a família que os resgatou alega que não tem mais dinheiro para mantê-los no hospital.

Tigrão (E) e Pirata aguardam novas famílias na entidade filantrópica. Espera já dura 11 meses (Foto:Fábio Cortez/DN/D.A Press)

Tigrão e Pirata nem imaginam, mas contra eles há um dado totalmente desfavorável. A cada dez animais de estimação adotados, nove são cães e apenas um é gato. A procura é sempre por gatos novos, brancos e de olhos claros. Pirata é jovem, com manchas no pêlo e cego de um olho. Para piorar a situação, não consegue viver longe do irmão Tigrão, com quem divide a jaula. O único “crime” que cometeu para estar atrás de grades há tanto tempo foi ter nascido gato. A própria lista da ONG Amimais é uma prova da concorrência desleal entre cães e gatos na corrida por um novo lar. Para piorar, as cadelas entram no cio a cada seis meses. As gatas em dois e dois meses.

Na lista de animais aguardando adoção, há três cães contra 30 gatos. No Hospital Animal Center, um dos parceiros da ONG, há 14 animais esperando adoção. Quatro são cães e 10 são gatos. A presidente da Amimais, Rianny Marinho, diz que a procura é sempre por cães. Tanto que o Centro de Controle de Zoonoses, da Prefeitura do Natal, deixou de receber gatos saudáveis para encaminhar para adoção. Segundo o diretor do Centro, Diógenes Soares, 99% das pessoas que procuravam um animal de estimação no Centro de Controle de Zoonoses adotava um cão. “Por isso, deixamos de receber gatos saudáveis. As pessoas ainda não demonstram interesse por gatos.É uma questão cultural. No mundo inteiro, criou-se um estigma. As pessoas falam que o gato é um animal arisco, que não se apega a casa e não gosta do tutor. Puro mito. Ele é um excelente animal de estimação. É independente, não precisa que ninguém o leve para passear, porque passeia sozinho, interage com os tutores, faz xixi na caixa de areia. É ideal para quem mora em apartamento”, explica Diógenes. Diferente dos gatos, os cães abrigados no CCZ não demoram muito tempo para serem adotados. Também não têm um prazo limite para encontrarem um novo tutor.

Fonte: Diário de Natal

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