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EXPLORAÇÃO

Falta de transparência no realojamento de cães causa preocupação entre ativistas na Austrália

A reprodução em massa para corridas está fazendo com que os animais sejam enviados para os EUA

12 de fevereiro de 2024
Júlia Zanluchi
3 min. de leitura
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Foto: Dan Himbrechts | EPA

Defensores australianos dos cachorros da raça galgo estão pedindo mais transparência depois que surgiram números que indicam que pelo menos 500 cães foram enviados para os Estados Unidos para serem realojados, à medida que a indústria de corridas continua a criar muito mais cães do que é necessário.

Os galgos australianos estão sendo cada vez mais enviados para os EUA para serem adotados como animais domésticos, não apenas devido à demanda, mas devido à falta de lares na Austrália, de acordo com defensores dos animais. O país sofre com a reprodução em massa dessa raça para ser usada nas corridas.

A Austrália é um dos sete países onde as corridas comerciais de galgos são legais. Nova Zelândia, México, Irlanda, Reino Unido, EUA e Vietnã também permitem o esporte, apesar do último não ter nenhuma competição oficial.

“Esses programas surgem porque a indústria está criando galgos em massa”, disse Andrea Pollard, presidente da Coalizão para a Proteção dos Galgos (CPG). Os galgos são uma raça rara nos EUA devido ao declínio lento da indústria de corridas. Apenas dois autódromos de galgos permanecem em uso, ambos na Virgínia.

Em janeiro, Ginger, uma galga aposentada, tornou-se a 500ª de Nova Gales do Sul, estado australiano que é sede de muitas corrida, a ser adotada nos EUA. A cadela de cinco anos fez a viagem como parte do Greyhounds As Pets (GAP), programa de realojamento da Greyhound Racing NSW (GRNSW).

A Coalizão para a Proteção dos Galgos expressou preocupação com a falta de transparência em torno da operação do GAP nos EUA. Os galgos precisam de um passaporte emitido pela Greyhounds Australasia para viajar para o exterior, mas segundo a CPG, isso não é devidamente legalmente exigido.

“No passado, vimos galgos sendo enviados sem esses passaportes e acabando em países como China ou Macau”, disse Pollard. A própria galga de Pollard, Hope, foi exportada sem passaporte para Macau há 10 anos antes de ser resgatada e devolvida à Nova Gales do Sul.

“Há muita propaganda e boas notícias [sobre isso], mas nem sempre há detalhes e transparência por trás”, disse ela. “Embora 500 pareça um bom número, ainda há milhares de galgos procurando lares em situações muito difíceis na Austrália.”

Natalie Panzarino, presidente do Greyhound Rescue em Sydney, disse que o comprimento do voo e a segurança dos cães durante e após a viagem para os EUA são preocupantes. Um galgo morreu no ano passado a caminho dos EUA sob o programa, mas a GRNSW disse que a causa da morte não estava relacionada à viagem. “O que realmente gostaríamos de ver são mais lares aqui [Austrália] procurando por esses belos animais”, disse Panzarino.

As corridas de cães da raça galgos é muito prejudicial aos animais e um tipo de exploração. Em 2024, já ocorreram sete mortes de galgos em corridas na Austrália e 1.149 lesões, com 444 delas acontecendo em Nova Gales do Sul. O estado foi responsável pela maioria das mortes em 2023, com 42 cães mortos, e também das lesões, totalizando 4.212.

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