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RELAÇÃO INTERESPÉCIE

Enterros pré-romanos de humanos com animais intrigam equipe na Itália

Pesquisadores que analisaram as sepulturas supõem que elas indiquem rituais ou até mesmo relações de companheirismo entre pessoas e animais como cães e cavalos

18 de fevereiro de 2024
3 min. de leitura
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Sepultamento conjunto de um cachorro e um bebê humano — Foto: S.R. Thompson / SABAP-VR Soprintendenza archeologia

Cientistas da Universidade de Berna, na Suíça, em parceira com pesquisadores do Instituto de Estudos de Múmias e da Universidade de Milão, na Itália, descobriram 16 indivíduos pré-romanos enterrados com algum tipo de restos de animais — incluindo cães e cavalos.

Os enterros de humanos com bichos estavam entre os 161 sepultamentos enterrados no sítio arqueológico de Seminario Vescovile. O sítio fica localizado em Verona, na Itália, e é datado do terceiro ao primeiro século a.C — período conhecido como Idade do Ferro e marcado pela ocupação céltica no local.

A descoberta publicada no último dia 14 de fevereiro na revista PLOS ONE instigou a equipe sobre os motivos que poderiam explicar a presença de animais nos enterros. Para isso, dados demográficos, genéticos e informações sobre a dieta e condições de sepultamento dos humanos da época foram analisados.

Fratura cicatrizada no úmero esquerdo de um cão — Foto: Zita Laffranchi et.al/PLOS ONE

Mas nenhuma relação pôde ser estabelecida para explicar os enterros misteriosos. De acordo com os pesquisadores, a ausência de um padrão abre portas para diferentes interpretações do vínculo humano-animal.

Em alguns dos túmulos foram encontrados bichos que são consumidos pelo homem, como porcos, galinhas e vacas, o que pode indicar rituais religiosos. Houveram também quatro pessoas enterradas com restos de cães e cavalos — seres que costumeiramente não fazem parte da dieta humana.

Dentre esses casos, os cientistas se depararam com uma série de disposições distintas: um bebê foi sepultado com um esqueleto completo de cachorro; um jovem tinha partes de um cavalo; um homem de meia-idade foi enterrado com um pequeno cão; e uma mulher de meia-idade foi sepultada com um cavalo completo, além de diversas outras partes de cavalos e o crânio de um cachorro.

a) crânio de cão b) enterro articular de um cão e um perinato humano — Foto: Zita Laffranchi et.al/PLOS ONE

Esses animais podem ter sido colocados nos enterros por terem determinado simbolismo religioso em culturas antigas, ou simplesmente pelo fato de que eram companheiros dos indivíduos velados. Contudo, as pessoas enterradas com animais não parecem estar intimamente relacionadas entre si, o que sugeriria que essa era uma prática de uma determinada família.

Em nota, os pesquisadores afirmam que, por mais que as razões permanecem misteriosas, essa dinâmica de sepultamento pode indicar uma relação duradoura entre os humanos e animais, representando também possíveis práticas religiosas de sacrifício e/ou oferenda aos mortos.

Sepultamento de mulher adulta enterrada com cavalos e cachorro — Foto: Zita Laffranchi et.al/PLOS ONE

O estudo faz parte do projeto de pesquisa CELTUDALPS, financiado pela Fundação Nacional de Ciências da Suíça (SNF) e pela província autônoma de Tirol do Sul, cujo objetivo é explorar a história genética e a variação dos grupos “celtas” que habitaram as áreas da Suíça e do norte da Itália durante a Idade do Ferro.

Fonte: Revista Galileu

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