Anderson Furlan

Juiz Federal, Mestre e Doutorando, Professor de Direito Ambiental

“Durante muito tempo estive preso em uma armadilha montada por séculos de tradição aristotélica e impulsionada pelos desvarios do capitalismo selvagem, ou seja, aquele que não se importa com ética, moral, valores e princípios, mas apenas com a maximização dos lucros. Por muito tempo fui enganado. Deixaram-me atrás de um muro conceitual que separava o mundo entre nós e eles. Enredaram-me na teia filosófica para que eu acreditasse no mundo desenhado pelos gregos antigos e pintado pelos doutrinadores cristãos, no qual até mesmo o canto dos pássaros existe apenas para alegrar os ouvidos dos animais humanos. Tentaram me enganar com essa conversa de alma, que apenas nós seríamos a imagem e semelhança Dele e por isso nossa dignidade (somente a nossa) seria transcendental. Impuseram-me leis nas quais a morte de centenas de animais não se compara à violação de um cadáver humano, à sobrevida de um zigoto ou aos direitos de uma empresa. Fizeram-me compactuar com posturas de ódio extremo, que escravizam, encarceram, exploram, humilham e por fim massacram milhares de seres cuja única ambição era continuar vivendo em liberdade e juntamente com os seus. Fizeram-me acreditar em uma pseudo-ciência financiada pela indústria do leite e da carne. Esconderam de mim os locais de massacre e desde criança me apresentaram os produtos da dor e do horror embalados e adornados por alegres figuras antropomórficas. Roubaram de mim a possibilidade de saber o que é certo e o que é errado. Felizmente, mas assombrado, um dia compreendi que não existe diferença entre nós e eles. Somos todos seres vivos, com medo da dor e da morte, dividindo esse breve átimo de tempo nessa vida, nesse pequeno e insignificante planeta. Percebi que não é certo e afronta minha dignidade satisfazer um gosto ou agradar ao paladar, motivos tão pequenos, à custa da dor e sofrimento de outros seres vivos. Que o fato de sermos diferentes, falarmos línguas diferentes, vivermos em mundos diferentes, em absoluto não significa que possamos abusar deles. E que não faz muita diferença fazer pessoalmente ou pagar para outros fazerem esse trabalho sujo, o resultado é sempre o mesmo; se o sangue dos inocentes não está em minhas mãos, certamente estará em meu estômago, nas minhas roupas ou nos produtos que uso. Hoje eu sei que a crueldade e o ódio não mais habitam em mim, nem devo compactuar com qualquer forma com que eles se manifestem. E para que mais pessoas possam começar a tentar aprender e compreender a verdadeira essência da realidade circundante, existe a ANDA, que presta um valoroso e inestimável trabalho de divulgação de notícias sobre os animais, sendo um centro irradiador de elementos para tomada de uma nova postura ética e moral.”

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