Enquanto a maior parte do mundo desconhece sua existência, a SkyTaxi, uma empresa polonesa de transporte aéreo de cargas, segue operando uma extensa rede internacional de envio de animais para a indústria da experimentação. Organizações e ativistas em defesa dos direitos animais denunciam a falta de transparência dessas operações e o papel desempenhado pela companhia no deslocamento de milhares de macacos que acabam submetidos a testes laboratoriais em diferentes países.
De acordo com a PETA, a SkyTaxi se tornou uma das poucas transportadoras ainda dispostas a realizar o envio internacional de macacos destinados a laboratórios de pesquisa, mantendo ativa uma cadeia global que abastece a indústria da experimentação animal.
Dados reunidos por ativistas apontam que, apenas em 2024, quase dois mil macacos foram transportados do Camboja para o Canadá em caixas lacradas. A rede logística conecta diversos países a centros de pesquisa e instalações de criação de animais, incluindo uma fazenda localizada em Tarragona, na Espanha, apontada por grupos de proteção animal como um importante ponto de distribuição há décadas.
A PETA afirma ter recebido informações de um denunciante sobre um voo que transportou mais de 500 macacos-de-cauda-longa, espécie considerada ameaçada de extinção, do Vietnã para os Estados Unidos. Os macacos teriam permanecido cerca de 26 horas em trânsito. Segundo o relato, as caixas apresentavam vazamentos de fezes e urina durante o desembarque, levantando preocupações sanitárias e de bem-estar animal.
Ainda de acordo com a denúncia, nenhuma agência federal teria comparecido para inspecionar a carga, apesar dos pedidos feitos previamente pela organização. O mesmo avião teria realizado, dias antes, outro transporte de macacos provenientes das Ilhas Maurício e retornado rapidamente à Ásia sem que houvesse limpeza ou desinfecção adequadas da aeronave.
Segundo a PETA, grande parte dos voos realizados pela SkyTaxi teria ocorrido a pedido da Charles River Laboratories, multinacional que fornece animais para experimentação científica. A empresa é alvo de investigações civis e criminais nos Estados Unidos relacionadas à importação de macacos oriundos do Camboja.
Há anos, organizações como a Abolición Vivisección monitoram essas rotas e denunciam o comércio internacional de primatas destinados a testes laboratoriais. Nesta semana, ativistas identificaram nos registros mais um trajeto envolvendo as Ilhas Maurício, Paris e Tarragona, apontando que a estrutura logística que abastece laboratórios com animais continua em funcionamento.