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Como o amigo de quatro patas ajuda o pequeno Arthur no tratamento contra o câncer

Menino recebeu transplante do pulmão no ano passado e agora faz quimioterapia para um linfoma

14 de agosto de 2022
4 min. de leitura
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Foto: Carol Fornasier | Santa Casa | Divulgação

Arthur Maurell Gonçalves dos Santos, 11 anos, esperou quase a vida inteira pela possibilidade de ter um animal.

Diagnosticado com fibrose cística (ou mucoviscidose, doença genética que deteriora o pulmão) aos cinco meses, só conheceu limitações e internações hospitalares até um bem-sucedido transplante, realizado na Santa Casa de Porto Alegre, em outubro de 2021.

A cirurgia permitiu que ele se livrasse da rotina de infecções, pouco fôlego, tosse intensa e crises de vômito. Passado o período inicial da recuperação, com o aval da equipe que o acompanha, o dachshund Max chegou no início deste ano. Os dois se tornaram inseparáveis.

No auge da alegria proporcionada pelo novo amigo, a família do Rio de Janeiro foi abalada pela descoberta de outra enfermidade. Arthur está internado no Hospital da Criança Santo Antônio para tratar um linfoma.

Linfoma é um câncer relacionado às células do sangue. Trata-se de uma complicação rara, mas possível, em alguns transplantados, explica a hematologista pediátrica Daniela Morales. O paciente vem se submetendo a ciclos de quimioterapia, que devem se estender por mais dois meses, e evolui bem.

Na última terça-feira (9), depois de uma cuidadosa preparação, liderada pela enfermeira Joice Prestes, supervisora das Unidades de Internação, Max, recém-saído do banho, deixou a caixinha de transporte e foi direto para o colo de Arthur.

Normalmente bagunceiro, o cão se acomodou no colo do menino. Arthur pousou o nariz na cabeça cheirosa do animal.

“Eles pegam fogo brincando juntos. Fiquei com medo de o Max arrancar coisas no hospital, mas ficou quietinho. Acho que estava com saudade”, emociona-se a mãe do paciente, Lise Maurell, 42 anos, que se mudou, em 2020, para a Capital, onde o pai de Arthur os visita.

A escolha do animal foi precedida de uma atenta pesquisa na internet. Primeiro, Arthur queria um pug, mas descobriu que um exemplar da raça de focinho achatado e cara enrugada poderia desenvolver problemas respiratórios.

“Eu vou conseguir cuidar”, argumentou o garoto, que acabou mudando de ideia. “Ai, mãe, melhor não. A gente já teve tanto problema de saúde…”

Retomou as buscas online e se encantou com os “linguicinhas”. A descrição o encantou.

“Apesar de pequeno, é destemido”, relatou Arthur a Lise, identificando-se com as características dos dachshund.

Até a hospitalização, Arthur e Max gostavam de correr pelo gramado da Redenção e brincar com bolinha. O cachorro dormia na sala, em respeito à restrição médica de não deitar com o menino. Por garantia, a porta do quarto permanecia fechada durante a noite, evitando que o animal tentasse escalar a cama.

“Desde pequeno, o Arthur ama a natureza. O Max o acalenta. Acho isso muito proveitoso para a saúde mental”, fala Lise.

Família, paciente e equipe assistencial não têm dúvidas de que o transplante foi essencial e transformador. As situações, antes e depois do procedimento, são incomparáveis. Arthur começou a desfrutar da infância depois de receber o órgão de uma criança que sofrera morte cerebral. Mas, devido à imunossupressão (enfraquecimento das defesas do organismo), fica suscetível a infecções virais e bacterianas, e foi uma infecção viral que o predispôs ao linfoma.

“O linfoma não é uma complicação comum, mas é uma condição tratável, controlável. Tem boas chances de cura”, afirma Daniela.

Foto: Carol Fornasier | Santa Casa | Divulgação

A hematologista ressalta que, cada vez mais, saúde não é só ausência de doença, mas cuidado integral, bem-estar físico e emocional. Nesta semana, ficou evidente a melhora no ânimo do paciente.

“Eu acho que é por causa da quimio”, palpitou Lise.
“Eu acho que é pelo Max”, devolveu Daniela.

O garoto já demanda a próxima visita do companheiro, agora recebendo cuidados de amigos e familiares. Quando estiver mais forte, será possível agendar a segunda vez. Se fosse só pela quimioterapia, Arthur não precisaria permanecer internado, mas outras infecções exigem o acompanhamento neste momento.

“Sabe aquela música “vamos fugir para outro lugar, baby”? Eu canto para ele”, diz Lise, referindo-se à canção Vamos Fugir, originalmente lançada por Gilberto Gil com outras versões, como a da banda Skank.

“Desejo que ele fique saudável para que a gente possa tocar a nossa vida, a vida escolar dele, de lazer, de entretenimento. Como toda mãe, só quero que ele seja feliz e saudável”, completa.

Fonte: GZH

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