A proteção básica contra a dor ainda é uma realidade incerta para cães e gatos em Ponta Grossa (PR). Um projeto de lei que proíbe a realização de castrações sem anestesia, prática denunciada por ativistas e profissionais da medicina veterinária como cruel, foi aprovado pela Câmara Municipal, mas acabou vetado pela prefeita Elizabeth Schmidt (União Brasil).
De autoria do vereador Geraldo Stocco (PV), o PL 466/2025 estabelece que procedimentos cirúrgicos custeados pelo município só possam ser realizados com anestesia adequada, garantindo inconsciência total, analgesia, relaxamento muscular e monitoramento contínuo. A proposta surgiu após denúncias de que castrações estariam sendo feitas apenas com contenção química, sem anestesia efetiva, o que expõe os animais à dor intensa durante o procedimento.
Segundo o vereador, a construção do projeto contou com a participação de profissionais da Medicina Veterinária da cidade, que apontaram a prática como não apenas eticamente inaceitável, mas também cientificamente ultrapassada. Em termos técnicos, a ausência de anestesia adequada em cirurgias configura sofrimento evitável, algo que contraria princípios básicos dos direitos animais e diretrizes da própria medicina veterinária.
A preocupação aumenta diante da terceirização de serviços ligados ao Centro de Referência para Animais de Risco (CRAR). Há receio de que empresas contratadas pelo poder público adotem métodos mais baratos, porém mais agressivos, priorizando redução de custos em detrimento da dignidade e da vida dos animais.
A questão vai além de um impasse político, trata-se de definir se o poder público aceitará ou não práticas que causam dor desnecessária aos animais. Castrar sem anestesia é uma decisão que ignora o sofrimento e normaliza maus-tratos sob justificativa administrativa.
A sanção do projeto é um passo essencial para alinhar políticas públicas aos padrões éticos e científicos atuais. Em um cenário onde a castração é amplamente promovida como ferramenta de controle populacional, garantir que ela seja feita sem dor é uma obrigação.