
Dois beagles descobriram que a grama é mais verde do outro lado depois de deixarem as gaiolas e encontrarem lares amorosos para sempre.
No início de 2026, o Alaqua Animal Refuge, em Freeport, Flórida (EUA), acolheu 20 beagles resgatados da Ridglan Farms, que está se preparando para encerrar suas atividades. De acordo com a Associated Press, a Ridglan Farms é uma instalação de criação e pesquisa de cães em Blue Mounds, Wisconsin, que firmou um acordo confidencial em abril com a Big Dog Ranch Rescue e o Center for a Humane Economy, vendendo seus 1.500 beagles para as organizações por um valor não divulgado.
As duas entidades distribuíram os cães, que só conheciam a vida em gaiolas, para dezenas de abrigos parceiros, onde passaram por recuperação e ficaram disponíveis para adoção. Dois dos vinte enviados ao Alaqua eram Pebbles e Paulie.
Pebbles era uma das menores beagles do grupo, “mas rapidamente provou ser uma das mais corajosas”, afirmou o abrigo em um comunicado à revista PEOPLE.
A cadela de 2 anos chegou ao Alaqua pesando apenas 7,7 kg e sofrendo de infecção de ouvido, doença dentária e uma lesão nos tecidos moles da pata dianteira.
Segundo o abrigo, problemas dentários significativos eram comuns entre os beagles da Ridglan, pois esses cães passavam os primeiros anos de vida consumindo ração amolecida em comedouros semelhantes aos de coelhos, em vez de mastigar alimentos sólidos.
Após o tratamento, Pebbles começou a revelar seu lado aventureiro.
“Acima de tudo, ela adora explorar”, disse a equipe de resgate.
Paulie, agora conhecido como Milo, também chegou ao Alaqua com diversos problemas de saúde que exigiam tratamento imediato. Assim como Pebbles, ele inicialmente se sentiu sobrecarregado no novo ambiente, uma reação típica de cães que passaram a vida em um laboratório com contato humano mínimo.
Felizmente, ambos encontraram adotantes que compreenderam o histórico de onde vieram. O Alaqua também auxiliou nessa transição por meio do “Bailey’s Beagle Boot Camp”, que treinou voluntários e futuros tutores sobre como lidar com cães medrosos, incluindo estratégias para prevenir fugas, oficinas sobre passeios com guia e orientações de socialização e desenvolvimento da autoconfiança. Cada beagle resgatado da Ridglan também recebeu uma coleira com GPS devido ao alto risco de fuga associado a ex-cães de laboratório.
Ann e Mark Killen doaram uma quantia substancial para o programa, patrocinando treinamentos e serviços adicionais para apoiar a recuperação dos cães. O boot camp recebeu o nome de Bailey, o beagle falecido do casal.
Após concluir o treinamento intensivo, Pebbles foi para casa com Karen e Travis Tillman, apoiadores de longa data do Alaqua, que já haviam adotado vários animais da organização, incluindo Kenzie. A mistura de husky com border collie é uma dos sete novos irmãos da cadela.
Os Tillman contaram à revista PEOPLE que, quando conheceram Pebbles pela primeira vez, “ela passou de amigável e curiosa para repentinamente retraída e tímida. Ficou claro que ela não sabia o que pensar.”
A família não deixou que isso os impedisse de lhe dar um lar. Nos dias seguintes à adoção, trabalhou para construir um relacionamento com a beagle respeitando seu ritmo.
“No começo, até mesmo algo tão simples como entrar em casa era um desafio. Deixávamos a porta aberta e a deixávamos entrar por conta própria, não importando quantas moscas entrassem. Rapidamente aprendemos que forçar as coisas não ajudaria a construir confiança”, compartilharam.
“Essa experiência tem sido muito diferente de qualquer outra adoção que já fizemos. A maioria dos cães resgatados tem pelo menos alguma noção de como é a vida em uma casa”, acrescentaram. “Pebbles está aprendendo tudo do zero. Tivemos que ajustar nosso próprio comportamento perto dela — nos movendo lentamente pela casa porque movimentos bruscos podem assustá-la, dando-lhe espaço em vez de sobrecarregá-la com atenção e até mesmo apertando o botão da porta da garagem antes de abrir a porta de casa, caso ela se assuste e fuja.”
Segundo os tutores, Pebbles fez um “progresso incrível” desde que chegou ao novo lar e começou a brincar com brinquedos e a gostar de carinho pela primeira vez.
“Cada pequena conquista parece significativa porque você percebe que são coisas que muitos cães aprendem quando filhotes. Para Pebbles, são experiências totalmente novas, e tem sido um privilégio vê-la descobri-las”, compartilharam os Tillman.
Milo e sua adotante passaram por uma experiência semelhante. O cão foi adotado pela cientista Lisa Sapp, que se sentiu motivada a dar um novo capítulo à vida de um dos beagles da Ridglan Farms.
“A realidade é que muitas pessoas conhecem esses cães apenas como estatísticas ou manchetes. Eu queria dar a pelo menos um deles a oportunidade de experimentar a vida como um companheiro amado, em vez de simplesmente um animal de pesquisa”, disse Sapp à revista PEOPLE.
Ela logo descobriu quantas coisas eram novidade para Milo, incluindo escadas.
“Qualquer coisa nova trazida de fora, como uma encomenda, o assustava muito. Subir e descer escadas era um desafio. Certos ruídos domésticos pareciam confusos. Os brinquedos nem sempre faziam sentido no início. Havia momentos em que ele parecia inseguro sobre como lidar com situações que a maioria dos cães enfrentaria sem pensar”, explicou. “Milo não estava sendo teimoso. Ele estava se deparando com essas experiências pela primeira vez e tentando entendê-las.”
Acompanhar Milo nesse processo de descobertas tem sido gratificante para Sapp, que nunca se cansa de ver a alegria do cão ao experimentar algo novo.
“Observá-lo aprender a confiar, se adaptar e abraçar novas experiências tem sido um poderoso lembrete de que a cura muitas vezes acontece por meio da paciência, e não da força. O progresso nem sempre é linear. Alguns dias são mais fáceis do que outros. Mas cada pequeno passo à frente importa”, observou.
O Alaqua e os novos tutores esperam que as histórias desses beagles inspirem outras pessoas a adotarem seus próximos animais domésticos e a considerarem aqueles que precisam de um pouco mais de cuidado.
“A paciência é o maior presente que você pode dar”, afirma Sapp.
Traduzido de People.




