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VIOLÊNCIA

Ativistas pedem o fim das lutas de camelos na Turquia

Os organizadores continuam realizando esses eventos por meio de uma brecha na legislação

12 de fevereiro de 2024
Júlia Zanluchi
3 min. de leitura
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Foto: Maurizio Dioli | Wikimedia Commons

Ativistas turcos estão preocupados com as lutas de camelos no país. Todo ano, mais de 20 dessas competições são realizadas na Turquia, a maioria delas associada a algum tipo de festival anual, e aproximadamente 100 camelos são forçados a participar desses eventos. Além disso, cada camelo é obrigado a lutar em, no mínimo, dez combates em um único evento.

Os camelos existem há mais de 40 milhões de anos, então é difícil saber ao certo quando a luta de camelos começou, mas evidências sugerem que esses torneios possam ter começado cerca de 2400 anos atrás.

O governo turco continua permitindo a existência desse esporte, alegando que a luta de camelos faz parte da cultura turca. Além disso, os apoiadores do esporte afirmam que é normal para camelos machos “instintivamente” lutarem entre si quando chega o momento de acasalar. Assim, a luta de camelos ocorre apenas durante a temporada de acasalamento dos animais, de novembro a março, porque os machos só lutam quando estão no cio.

Para os cidadãos do país, é um esporte popular, assim como o futebol. Como a luta de camelos gera muita receita para o país, os esforços de ativistas pelos direitos animais para acabar com esses eventos não resultaram em mudanças reais.

No entanto, na década de 1930 o governo turco tentou acabar com essas competições. O governo da época afirmou que esse esporte específico era “culturalmente retrógrado” e não seria benéfico para a história do país.

Embora esses eventos ocorram na Turquia, os camelos forçados a participar geralmente são criados no Irã ou no Afeganistão. Aproximadamente 2 mil camelos são criados especificamente para serem usados nessas competições. Esses camelos geralmente têm pescoços mais grossos e estruturas mais fortes do que outros camelos, o que os torna mais robustos e menos propensos a cair.

A própria natureza do esporte de luta de camelos é o que o torna uma atividade inaceitável. São animais indefesos sendo forçados a lutar entre si enquanto usam selas intricadas e coloridas, com milhares de pessoas assistindo e aplaudindo.

Esses eventos de luta são bastante elaborados, incluindo danças tradicionais, música e um churrasco com carne de camelo. Antes da corrida, os animais desfilam em uma espécie de “concurso de beleza”, adornados com bandeiras turcas, focinheiras coloridas e enfeitadas, sinos, pompons e muito mais. Como em um verdadeiro concurso de beleza, os animais são julgados enquanto percorrem a multidão, muitas vezes com moradores locais montados neles. É um grande festival de exploração.

Esse é o tipo de comportamento que não deveria ser permitido, mas é algo que continua a existir, apesar da resistência de ativistas e até mesmo da Associação de Advogados de Istambul (AAI). A AAI criticou a lei turca que supostamente proíbe brigas de animais, argumentando que a luta de camelos deveria ser proibida, pois é uma prática violenta sem raízes folclóricas reais. Essa lei permite “shows folclóricos tradicionais sem violência”, o que não se aplica a esse caso. Em teoria, a lei deveria resultar em prisão e punição financeira para os envolvidos.

O fato de esses animais serem forçados a lutar entre si é considerado um crime grave, como afirmou Gulgun Hamamcioglu, representante da Federação pelos Direitos Animais. De acordo com Hamamcioglu, as pessoas veem os animais lutando, sofrendo, feridos e talvez até matando uns aos outros, e ainda assim elas sentem prazer e até mesmo podem obter lucro financeiro com essas brigas.

Felizmente, a luta de camelos parece estar em declínio, pois a cada ano há menos competidores, públicos menores e menos apelo entre os turcos mais jovens, que preferem mexer na internet ou assistir esportes de verdade, como o futebol.

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