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ESTUDO

Após anos de caça, gorilas voltam a confiar em humanos

Pesquisa realizada em Camarões, na África, indica que convivência gradual com pesquisadores pode ajudar a reverter os efeitos duradouros da perseguição humana sobre os animais

12 de junho de 2026
2 min. de leitura
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Foto: Getty Images

Anos de caça podem deixar marcas profundas no comportamento dos gorilas, mas um novo estudo mostra que esses primatas são capazes de reconstruir a confiança em seres humanos quando expostos, de forma gradual, a pessoas que não representam ameaça. É o que traz uma reportagem do Phys.org.

A pesquisa acompanhou, durante oito anos, um grupo de 12 gorilas-das-terras-baixas-ocidentais que vive no Parque Nacional Campo Ma’an, no sul de Camarões. Ao longo do período, os cientistas observaram uma mudança significativa no comportamento dos animais, como reações iniciais de medo, agressividade e evasão deram lugar, progressivamente, à curiosidade e à indiferença diante da presença humana.

Os resultados foram publicados no African Journal of Ecology e podem contribuir para estratégias de proteção e ecoturismo em regiões onde a caça deixou um legado de desconfiança entre a fauna silvestre.

O trabalho começou em 2011, com o monitoramento indireto dos gorilas. A aproximação direta teve início em 2015, quando os pesquisadores passaram a anunciar sua presença por meio de vocalizações e sons considerados não ameaçadores para os animais.

Ao longo do estudo, a equipe acumulou cerca de 582 mil minutos de observação. Com o passar dos anos, os gorilas permaneceram por mais tempo próximos aos pesquisadores e passaram a tolerar melhor sua presença.

“Os gorilas têm capacidade de distinguir entre pessoas ameaçadoras, como caçadores, e pessoas não ameaçadoras, como pesquisadores e turistas”, afirma France Anougue, autora principal do estudo, de acordo com o site. “Também observamos essa tolerância em gorilas mais jovens, o que sugere que o comportamento é aprendido com outros membros do grupo.”

Segundo a pesquisadora, o processo foi mais lento do que o registrado em estudos anteriores. Enquanto outros grupos de gorilas levaram entre 28 e 53 meses para se habituar à presença humana, neste caso foram necessários 91 meses de contato quase diário.

Os pesquisadores também identificaram uma relação entre a redução das atividades de caça na região e o aumento da tolerância dos animais. Durante o período do estudo, programas de conscientização junto às comunidades locais e patrulhas de fiscalização contribuíram para diminuir a pressão humana sobre os gorilas.

Além de favorecer pesquisas científicas e iniciativas de ecoturismo, a aproximação controlada pode gerar benefícios ambientais mais amplos. Os gorilas desempenham papel importante na dispersão de sementes e na regeneração das florestas tropicais, contribuindo para a manutenção da biodiversidade e para o armazenamento de carbono. “Esta pesquisa mostra que proteger os gorilas promove a biodiversidade, e as comunidades locais se beneficiam dos ganhos econômicos do aumento do ecoturismo”, afirma Anougue.

Os autores alertam, no entanto, que os esforços de proteção precisam ser contínuos. Sem a presença de equipes de campo e patrulhas de proteção, os animais podem voltar a ficar vulneráveis às ameaças que historicamente colocaram suas populações em risco.

Fonte: Um só Planeta

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