LINHA DE FRENTE            

Grupo de salvamento resgata quase dois mil animais durante enchentes em Minas Gerais e Bahia

           
Foto: Reprodução | O Globo

As fortes chuvas que deixaram um rastro de caos e calamidade nos estados da Bahia e de Minas Gerais, atingiram milhares de animais e destruíram a sede de várias ONGs. Desde o começo das enchentes, voluntários que estão envolvidos nos resgates apontam que já foram salvos cerca de 1,8 mil animais em estado crítico de vulnerabilidade.

O cenário é catastrófico, são gatos cobertos de lama, cachorros tentando se refugiar em telhados e porcos e vacas famintos. O Grupo de Resgate de Animais em Desastres (Grad) está atuando na linha de frente do resgate desses animais, levando-os para lugares seguros e proporcionando alimentação e cuidados veterinários.

Foto: AFP | Douglas Magno

Na Bahia, o Grad atuou nas cidades de Porto Seguro, Itamaraju, Canavieiras, Itabuna e Ilhéus, incluindo aldeias indígenas e áreas de floresta, salvando mais de 1,3 mil animais.

As equipes do Grad também estão trabalhando em municípios mineiros atingido pelos temporais. Em Congonhas, Pará de Minas, Raposos e Nova Lima e Itabirito, foram resgatados 500 animais nos últimos quatro dias. A maioria dos animais atendidos são espécies silvestres que foram levados do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) de Nova Lima.

Foto: AFP | Douglas Magno

A unidade do centro de reabilitação precisou ser evacuada depois que uma barragem do Dique Lisa da Mina Pau Branco, da empresa Vallourec, transbordou.

Contaminação

O Grad segue protocolos sanitários rigorosamente e todos os animais acolhidos recebem a aplicação da vacina V10, que protege contra dez doenças diferentes, além de evitar a infecção por leishmaniose e ação de parasitas.

“Em um cenário de desastre, queremos evitar que os animais sejam vítimas e também precisamos impedir que eles se tornem um problema sanitário para município. Aqui é uma situação muito delicada e cheia de dificuldades para as famílias que perderam suas casas ou parentes. Fazemos de tudo para amenizar o peso dessas pessoas, e uma das maneiras é ajudar os animais”, explica Carla Sassi, médica veterinária e coordenadora do Grad.

Foto: Reuters | Washington Alves

Após os resgates, os animais são encaminhados para abrigos, ou no caso de espécies silvestres, para o Cetas da região. Contudo, o trabalho está com muita lentidão devido a precariedade dos transportes e o difícil acesso as estradas, já que muitas estão interditadas.

“Muitas famílias se negam a sair das casas para não abandonar os animais, então cuidamos de dar um lugar seguro para eles e para as pessoas, no intuito de proporcionar tranquilidade”, conta Enderson Barreto, que atua como veterinário no Grad.

Barreto destaca as dificuldades logísticas que eles enfrentam para realizar os salvamentos, já que são os próprios voluntários que carregam as caixas de isopor com as vacinas e gelo, os pacotes de ração, medicamentos e os equipamentos de primeiros socorros.

Foto: AFP | Douglas Magno

“Também encontramos diversos animais estressados, imunodeprimidos, que tiveram contato com água suja e estão suscetíveis a pegar doenças infectocontagiosas. Por isso focamos na importância da imunização e desparasitação deles”, finaliza o veterinário.

Para ajudar o Grad a continuar realizando os trabalhos de resgate de animais em situação de risco durante grandes tragédias, entre em contato com as equipes pelas redes sociais aqui.

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