MEIO AMBIENTE            

Ilhas de lixo do Pacífico ameaçam a sobrevivência de animais marinhos e terrestres

           
Foto: Divulgação | Smithsonian Institution

Um novo habitat foi inaugurado no século XXI, são as ilhas de plástico ou também como é conhecida oficialmente: a Grande Porção de Lixo do Pacífico. Espalhada em um perímetro de cerca de 1,6 milhão de quilômetros, a “ilha” acumula mais de 79 mil toneladas de lixo trazidas pelas correntes marítimas do oceano Pacífico.
A maior parte desse lixo é composto de plástico proveniente de grandes embarcações e das costas americana e asiática. O local também abriga uma enorme variedade de objetos que são descartados irrefreadamente todos os dias.

A Grande Porção de Lixo é a principal causa do declínio de ecossistemas marinhos naquela região dos oceanos. A alta concentração de plásticos e microplásticos, impede que algas e plânctons recebam luz solar suficiente, criando um efeito dominó que impacta cadeias alimentares inteiras. Não obstante tamanha destruição, as redes de pesca que são descartadas irregularmente, se transformam em armadilhas prontas para dizimar cardumes e matar cetáceos que rondam o local.

A revista Nature Communications publicou um novo estudo que aponta que os impactos dessa sopa de lixo são muito mais abrangentes do que se pensava antes. Através de pesquisas, cientistas evidenciaram que alguns organismos estão começando a se abrigar nesse habitat de plástico e essa interação ameaça, invariavelmente, outros ecossistemas marinhos e também terrestres.

Os cientistas já sabem que as espécies que vivem no litoral podem pegar carona em “jangadas” e se transportar pelo oceano numa aventura conhecida como rafting. Isso acontece por meio de sementes, troncos ou algas, por exemplo. São jangadas biodegradáveis, que tornam o rafting um processo transitório.

Mas a presença do plástico em alta intensidade no meio ambiente significa uma mudança de paradigma, na qual garrafas pet e outros matérias não-naturais, se transformam em “jangadas” permanentes. Alguns organismos, por exemplo, pegam carona e fazem do plástico seu lar a longo prazo, transitando distâncias enormes nos oceanos.

“Agora existe um habitat apropriado no oceano aberto para que organismos costeiros possam sobreviver em alto mar por anos e se reproduzir, levando as comunidades costeiras autossustentáveis para os oceanos”, aponta o novo estudo.

Foto: Divulgação

Entre os organismos que estão protagonizando esse novo panorama estão espécies de cracas, caranguejos, anêmonas, hidróides e anfípodes. Eles compõem o que os cientistas chamam de comunidades neopelágicas (neo=novo, e pelágico= águas oceânicas abertas), que percorrem os mares.

O problema dessa nova migração é que essas espécies começam a competir, por alimento por exemplo, com outros organismos nativos que vivem nas camadas mais superficiais da água, conhecidos nêuston, e desequilibram a essência desses ecossistemas.

Outra questão levantada pelos cientistas é que a existência dessas novas comunidades no oceano aberto pode funcionar como um trampolim para que espécies costeiras de certa região possam pegar carona num pedaço de plástico e se reproduzir, sobrevivendo na “jangada” por longos períodos e desaguando em um ecossistema inteiramente novo.

Sendo assim, todas as costas, de centros urbanos a áreas protegidas, podem se tornar mais suscetíveis a essas espécies invasoras, o que desorganiza a dinâmica do ecossistema local e ameaçam plantas e animais nativos. Além de que, outras correntes marítimas podem começar a concentrar outras “ilhas de lixo” e esse se transformar no cenário de uma catástrofe em âmbito mundial.

O estudo conclui que ainda há muito para se descobrir e compreender sobre essas novas comunidades e como funcionam suas dinâmicas, mas que algo é certo: é preciso abordar o tema com mais seriedade e criara ações que atendam a “necessidade urgente de abordar os diversos e crescentes efeitos da poluição de plástico na terra e no mar”.

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