CONSCIÊNCIA            

Quatro em 10 jovens temem ter filhos devido à crise climática

Pesquisa global mostra que a maioria dos jovens entre 16 e 25 anos preocupa-se muito sobre o futuro, e muitos sentem-se frustrados com o governo            
Foto: Ilustração | Pixabay

Quatro em 10 jovens ao redor do mundo estão hesitantes em ter filhos por conta da crise climática, e temem que os governos estão fazendo muito pouco para prevenir catástrofe climática, segundo uma enquete em 10 países.

Quase seis em cada 10 jovens, entre 16 e 25 anos, estavam muito ou extremamente preocupados com a mudança climática, segundo o maior estudo científico já realizado sobre ansiedade climática e jovens, publicado na terça-feira. Um número similar disse que os governos não estavam protegendo as pessoas, o planeta, ou futuras gerações, e sentiram-se traídos pelas gerações anteriores e pelo governo.

Três quartos concordaram com a declaração “o futuro é assustador”, e mais da metade sente que tem menos oportunidades que seus pais. Quase metade reportou que sentiu-se angustiada ou ansiosa sobre o clima de maneira que afetava suas vidas diárias e funcionamento.

A enquete de cerca de 10.000 jovens cobriu a Austrália, Brasil, Finlândia, França, Índia, Nigéria, Filipinas, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos. Ela foi paga pela organização de campanhas Avaaz.

Jovens ativistas climáticos dizem que sentimentos de ansiedade sobre o clima agora estão difundidos entre a juventude de hoje. Mitzi Tan, 23, das Filipinas, disse: “Eu cresci temendo me afogar no meu próprio quarto. A sociedade me diz que essa ansiedade é um medo irracional que deve ser superado, que meditação e mecanismos saudáveis de lidar com isso irão ‘dar um jeito’. Em sua raiz, nossa ansiedade climática vende esse sentimento profundo de traição pela falta de ação do governo. Para abordar nossa crescente ansiedade climática verdadeiramente, necessitamos de justiça.”

Agora é comum os jovens se preocuparem em ter filhos, segundo Luisa Neubauer, ativista climática de 25 anos, co-organizadora de uma greve na Alemanha e quem ajudou a alcançar a vitória na corte, que forçou o governo alemão a reavaliar suas políticas climáticas.

Ela disse: “Eu encontro muitas garotas jovens, que perguntam se ainda é OK ter filhos. É uma pergunta simples, porém diz muito sobre a realidade climática em que estamos vivendo. Nós jovens percebemos que apenas nos preocuparmos com a climática não irá detê-la. Então transformamos nossa ansiedade individual em uma ação coletiva. E agora, estamos batalhando em todos os lugares: nas ruas, nas cortes, dentro e fora de instituições ao redor do mundo. Ainda assim, os governos estão falhando, as emissões estão crescendo a níveis recorde. A resposta apropriada para este estudo seria os governos começarem agirem como prometeram.”

No começo do mês, da Unicef descobriu que crianças e jovens ao redor do mundo estavam lidando com a parte mais pesada da crise climática, com 1 bilhão de crianças sob “risco extremo” dos impactos do colapso climático.

O estudo, intitulado “A voz dos jovens na ansiedade climática, traição do governo e dano moral: um fenômeno global”, foi publicado em uma base de pré-publicação, enquanto está sob processo de revisão, pelo jornal científico Lancet Planetary Health. A pesquisa foi conduzida e analisada por sete instituições acadêmicas no Reino Unido, Europa, e Estados Unidos incluindo a Universidade de Bath, a Universidade de East Anglia, e a Oxford Health NHS Foundation Trust.

A enquete agrega pesquisas anteriores, que também descobriram altos níveis de ansiedade sobre a crise climática ao redor do mundo, incluindo medo de ter filhos.

Caroline Hickman, da Universidade de Bath, Aliança de Psicologia Climática e co-autora do estudo, disse: “Este estudo retrata a horrível imagem da ansiedade climática difundida em nossas crianças e jovens. Eles sugerem pela primeira vez que os altos níveis de desconforto psicológico na juventude estão ligados à falta de ação do governo. A ansiedade de nossas crianças é uma reação completamente racional dadas as respostas inadequadas à mudança climática que elas estão vendo dos governos. O que mais os governos precisam ouvir para tomar ação?”

Francois Hollande, presidente da França quando o acordo de Paris foi estabelecido em 2015, solicitou aos governos que se reunirão em novembro em Glasgow para a conferência climática da ONU Cop26 a tomarem nota. “Seis anos após o acordo de Paris, nós devemos abrir nossos olhos para a violência da mudança climática, seus impactos em nosso planeta e também na saúde mental de nossa juventude, como este estudo alarmante demonstra. Devemos agir urgentemente e fazer tudo que podemos para dar um futuro às gerações mais novas,” disse ele.

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