REFLEXÃO            

O fim da vida na Terra pode tirar o significado da galáxia, diz Brian Cox antes do COP26

           
Foto: Reprodução | BBC

Os humanos podem ser os únicos seres inteligentes em nossa galáxia, portanto, a destruição de nossa civilização pode ser um desastre galáctico, alerta o professor Brian Cox para os líderes mundiais na preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Cop26).

No lançamento de sua nova série da BBC “Universo”, o físico e apresentador disse que, depois de falar com cientistas de todo o mundo que aconselharam o programa, ele pensou que a humanidade e a vida inteligente na Terra “podem ser um fenômeno notável, único e natural” e que isso é algo que “líderes mundiais precisam saber”.

Em “Universo”, Cox explora a teoria chamada de “Cachinhos dourados”, que sugere que a localização de nosso planeta em relação ao Sol e os eventos únicos que ocorreram ao longo de bilhões de anos criaram a Terra como um ambiente ideal para que vida significante pudesse florescer e evoluir.

“O que descobrimos – e eu acredito que é uma suposição razoável – é que existem muito poucas civilizações por galáxia”, disse Cox.

Quando questionado sobre quão importante aquela descoberta era para políticos lidando com a crise climática, Cox disse: “eu acredito que ter essa perspectiva é necessário”.

“Eu diria que se nossa civilização não persistir, por quaisquer razões, e isso pode ser um evento externo ou pode ser culpa de nossas próprias ações – guerras nucleares, ou seja o que for que decidamos infligir sobre nós mesmos – é possível que quem tomar essa decisão elimine o significado dessa galáxia para sempre.

“E eu acho que isso é algo que os líderes mundiais talvez precisem saber. Pode ser uma informação muito importante”.

Ele continuou: “Quando mais eu aprendo sobre biologia, mais surpreso eu fico que nós existamos”. Embora os astrónomos tenham dito que existem cerca de 20 bilhões de planetas semelhantes à Terra na Via Láctea “nós deveríamos esperar que a vida estivesse por todo lugar, mas quase todo biólogo com o qual eu converso diz a mesma coisa: ‘sim, mas, na melhor das hipóteses, essa vida vai ser lodo’. Vivemos em um universo violento, e a ideia de que você pode ter planetas estáveis o suficiente para ter uma interrupta cadeia evolutiva pode ser bastante restritiva”.

Cox disse que são poucos os lugares “onde átomos podem pensar… O significado existe em nossas mentes”, então o fim da vida na Terra pode destruir esse significado.

“Se você aceitar que o significado das coisas emerge de estruturas biológicas suficientemente complexas, então o único lugar que essas estruturas existem talvez seja aqui; portanto, é correto falar que se esse planeta deixasse de existir, nós viveríamos em uma galáxia sem significado. Isso é diferente de uma galáxia sem vida. Há uma diferença entre vida e vida inteligente”.

Ele também disse que há uma teoria chamada de “grande filtro”, que sugere que “civilizações não tem vidas longas. Pode ser que os desafios de industrializar uma civilização sejam grandes demais e que nossa sabedoria esteja aquém de nosso conhecimento ou capacidade, e não sejamos capazes de lidar com a transição para uma civilização espacial.

“O clima é outro desafio… Existem muito desafios que as civilizações enfrentam à medida que adquirem conhecimento e capacidade, e pode ser que haja um tempo de vida natural para civilizações”.

Em “Universo”, Cox – que fazia parte da banda D: Ream, que criou a canção otimista “Things Can Only Get Better” – explica como estrelas não são imortais, e que um dia o universo retornará a sua escuridão.

Ele disse que algumas suas abordagens durante o programa foram mais filosóficas e “religiosas do que eu pretendia”, comparando com sua série anterior, e isso ocorreu porque ele queria explorar por que nos importávamos com as estrelas e no papel que elas desempenhavam na criação da vida.

No primeiro episódio ele chama as estrelas de “deuses mortais” e, ao ver o nascer do sol, diz: “Se você está procurando por deuses, não precisa procurar mais, porque eles estão ali”.

Cerca de 1 bilhão de pessoas globalmente viram “Os Planetas”, e “Universo” também será mostrado ao redor do mundo. A maior parte desta série foi filmada no Reino Unido devido a quarentena, e Cox afirma que isso deu a série um aspecto diferente de seus programas anteriores.

“Universo” estreia na BBC em 27 de outubro.

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