MUDANÇAS CLIMÁTICAS            

Tempestade e vendaval deixam rastro de destruição no Mato Grosso do Sul

           
Foto: Reprodução | G1

Uma forte ventania atingiu diversas cidades do Mato Grosso do Sul e causou o naufrágio de um barco-hotel que transportava turistas no Rio Paraguai, no Pantanal, ontem (15). A maioria da tripulação, composta por 21 pessoas, foi salva por uma embarcação do Exército, mas até o momento seis pessoas morreram e uma está desaparecida. Cerca de 12 mergulhadores estão trabalhando em busca de sobreviventes.

O barco afundou a cinco quilômetros de distância da área urbana de Corumbá, que não foi a única cidade afetada pelo fenômeno climático atípico. Em Campo Grande, os ventos chegaram a mais de 90km/h e quase arrastaram uma idosa. Árvores caíram em várias partes da cidade e pelo 50 ocorrências já foram registradas. Em Dourados, os ventos atingiram 80 km/h e foram acompanhados por uma forte tempestade de poeira que atingiu a maior parte da cidade.

O prefeito de Dourados, Alan Aquino, decretou estado de emergência. Moradores que testemunharam a tempestade ficaram assustados. Testemunhas relatam que uma grande massa de poeira deixou a cidade completamente escura e foi seguida por uma chuva intensa e ventos fortes. Muros e postes caíram. O principal hospital público da cidade teve a porta da recepção arrancada pela força da ventania. Prédios e fábricas também sofreram danos.

Foto: Reprodução | G1

Em Ponta Porã, a tempestade causou a queda de árvores e a destruição de casas e comércios. Rodovias foram interditadas e impediram que o Corpo de Bombeiros atendessem ocorrências. Moradores descrevem os momentos de terror como cenas de um filme apocalíptico. Em Sidrolândia, pessoas correram em desespero fugindo da tempestade de areia e dos fortes ventos. Árvores e placas foram arrancadas com a força do vendaval e a energia elétrica foi interrompida.

Em Aquidauana e Nova Alvorada do Sul, uma nuvem de poeira encobriu a maior parte da cidade e causou congestionamento e risco de acidentes. Além da forte chuva e da ventania, algumas testemunhas também relatam queda de granizo em várias partes do estado. A tempestade deixou um grande rastro de destruição incalculável e está sendo considerado por especialistas como “o pior temporal de 100 anos” da história do Mato Grosso do Sul.

Ainda não dá estatísticas, mas incontáveis vidas de animais também foram profundamente afetadas pela tempestade.

Nota da Redação: embora pareça um fenômeno isolado, a tempestade que assolou o Mato Grosso do Sul é mais um evento extremo causado pelas mudanças climáticas que estão atingindo diversos estados brasileiros, países em todo mundo e têm raízes antrópicas. Estudos realizados pelo Observatório Pantanal apontaram que a destruição do bioma causada por queimadas em 2020 impactara negativamente todo o equilíbrio climático global. É importante destacar que os incêndios que causaram a destruição de mais 30% do Pantanal e a morte de mais de 17 milhões de animais silvestres foram motivados pela pecuária. A criação de animais para consumo, a poluição e destruição da natureza em prol do lucro e da ganância humana são os propulsores da crise climática. Vendavais, deslizamentos e alagamentos são apenas o começo de um grande ciclo destrutivo que tem como base a ação humana.

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