DIREITOS ANIMAIS            

Cidade argentina proíbe romaria na qual cavalos eram explorados há mais de 70 anos

A proibição prova que proteger os animais é mais importante do que manter tradições que podem ser readaptadas sem envolver a exploração de seres sencientes            
Foto: Reprodução/AireDigital

A Prefeitura de Luján, na Argentina, proibiu a “Romaria Gaúcha” para por fim aos maus-tratos impostos a cavalos explorados há 76 anos para a realização do evento. Desde 7 de outubro de 1945, centenas de camponeses montados em animais se dirigiam ao Santuario de la Virgen de Luján para celebrar a romaria. Neste ano, no entanto, a prefeitura anunciou o fim do evento, provando que proteger os animais é mais importante do que manter tradições que podem ser readaptadas sem envolver a exploração de seres sencientes.

De acordo com a prefeitura, a romaria “tornou-se também um risco para os cavaleiros, animais e quem circula regularmente por estes percursos”. “Todas as pessoas envolvidas na organização deste evento tradicional concordaram que não se poderia continuar da mesma forma”, disse o prefeito Leonardo Boto. “Chegou a hora de se adaptar às novas demandas e reconverter a atividade em uma proposta que celebre a fé e as tradições, mas não prejudique os animais ou os vizinhos de Luján”, completou.

De acordo com a diretora da organização Voluntarios por los Caballos (VPC), Gabriela Rosas, a romaria “saiu cada vez mais do controle” nos últimos 30 anos, com “dezenas de cavalos mortos ou moribundos que jazem no caminho” percorrido até o Santuario de la Virgen.

Por uma década, grupos de proteção animal instalaram postos de controle em diferentes pontos de acesso à cidade de Luján para fiscalizar a romaria e registraram diversos casos de maus-tratos aos animais. “Assim começou-se a processar casos de cavalos maltratados, de acordo com a Lei Sarmiento (14.346), e obrigar os animais a se hidratarem, para que pudessem descansar e comer”, disse Rosas.

Foto: Reprodução/AireDigital

“Resgatamos cavalos feridos, pôneis sem ferradura, raquíticos, exaustos, éguas prenhes, potros aleijados, mutilados, sem olhos”, completou. Segundo ela, foram muitos os casos de animais “morrendo de exaustão, desidratados ou feridos em acidentes de trânsito”. “Alguns até morreram em nossos braços”, acrescentou.

Ao tratar do assunto, a Prefeitura de Luján informou que setores mais conservadores e tradicionais rejeitaram a proibição. Apesar disso, a romaria segue proibida. Através de uma publicação nas redes sociais, a administração municipal reforçou que “a partir deste ano não será realizada a Romaria a Cavalo ao Santuario de la Virgen Luján” e informou que o evento foi suspenso “para cuidar da saúde dos animais, bem como para proteger a segurança dos peregrinos e vizinhos”.

O governo também proibiu, através da Portaria Municipal nº 1285/75, a circulação de veículos de tração animal, como carroças, em Luján e frisou que “tal modalidade de transporte não será permitida nem mesmo em animais montados”, sob pena de multa e perda da guarda de cavalos aos que descumprirem a nova regulamentação municipal.

Foto: Reprodução/AireDigital

Comente

Comunicar erro

Obrigado por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta.

Faça uma doação
               

Veja Também

ir para o topo