MEIO AMBIENTE            

Leonardo DiCaprio investe em empresas de carne cultivada em laboratório para combater crise climática

Em um comunicado conjunto das start-ups, DiCaprio reforçou que a transformação do sistema de alimentação da sociedade é "uma das formas mais eficazes de combater a crise climática"            
Leonardo DiCaprio é conhecido por defender a causa ambiental (Foto: Getty Images)

O ator norte-americano Leonardo DiCaprio investiu em duas start-ups voltadas ao desenvolvimento de carne cultivada em laboratório a partir de células de animais. Embora a motivação principal do artista seja combater os impactos ambientais gerados pela agropecuária, o investimento nas empresas Aleph Farms e Mosa Meat, das quais DiCaprio agora é um dos assessores, também beneficia os animais.

Em um comunicado conjunto das start-ups, DiCaprio reforçou que a transformação do sistema de alimentação da sociedade é “uma das formas mais eficazes de combater a crise climática”.

“Mosa Meat e Aleph Farms oferecem novas formas de satisfazer a demanda mundial de carne bovina, enquanto resolvem alguns dos problemas mais urgentes da atual produção industrial dessa carne”, continuou.

O artista é conhecido pelas pautas ambientais que defende e já direcionou parte de seus recursos financeiros para beneficiar o meio ambiente, tendo inclusive se tornado investidor da Beyond Meat, empresa que fabrica hambúrgueres, salsichas e almôndegas vegetais.

Em relação às novas empresas beneficiadas pelo ator, a Mosa Meat, de origem holandesa, já nasceu com um histórico importante. Isso porque a start-up foi co-fundada por Mark Post, que em 2013 apresentou ao público a primeira porção de carne picada “in vitro” feita a partir das células-mãe de uma vaca.

Esse tipo de carne é a promessa do futuro. Atualmente, apenas Singapura aprovou a venda dos produtos, que chegam aos mercados com preços altos – o que pode, e provavelmente vai, mudar no futuro com a expansão desse mercado.

A destruição causada pela agropecuária

Uma das atividades humanas que mais destrói o meio ambiente é a agropecuária. Em 2018, 81% das áreas desmatadas na Amazônia brasileira foram ocupadas por pastos para criar bois explorados para consumo humano, segundo levantamento realizado pela organização internacional Trase. Isso sem considerar os extensos territórios desmatados para o plantio de grãos usados na alimentação desses animais, como a soja.

Além do desmate, a agropecuária também polui o lençol freático e o solo com os dejetos dos animais, que por sua vez soltam flatulências que liberam gases de efeito estufa. Essa atividade também é responsável pelo desperdício de grandes quantidades de água – segundo dados da organização Water Foodprint, são desperdiçados 16 mil litros de água para a produção de um único quilo de carne.

Milhares de ativistas pelos direitos animais e ambientalistas alertam frequentemente para a necessidade da população mudar seus hábitos alimentares, optando pelo veganismo não só como forma de não compactuar com o sofrimento animal, mas também para proteger o meio ambiente.

Crueldade é padrão da agropecuária

O transporte cruel de animais, independentemente da espécie, é uma prática institucionalizada nas indústrias que os exploram para consumo humano. E sequer é escondida – como acontece com a maior parte dos horrores da agropecuária -, basta ter o azar de transitar pelas estradas no mesmo momento em que os caminhões que levam os animais para o matadouro para comprovar os maus-tratos.

As aves (galinhas e frangos) são confinadas aos montes em pequenas caixas. Em cada caixote, dezenas delas são colocadas, amontoadas umas sob as outras, sentindo dores e até sofrendo ferimentos. Porcos, bois e vacas também são transportados amontoados, em um espaço reduzido. Todos eles são forçados a suportar os próprios excrementos durante o transporte, além das condições climáticas. Nenhum consegue se deitar e descansar e pisoteamentos são comuns por conta das condições em que são transportados. Ferimentos ocasionados por freadas bruscas dos caminhões também são comuns.

Além disso, no caso da vida miserável vivida pelos bezerros, o que é ofertado a bebês inocentes e dóceis é medo, agonia, dor, desespero e sofrimento. Os destinos desses pequenos e frágeis animais são: a engorda para serem mortos dentro de meses ou, no máximo, pouco mais de um ano depois do nascimento; o aprisionamento em celas minúsculas para a produção de carne de vitela – neste caso, o bezerro passa meses preso, sem espaço para se locomover livremente, muitas vezes sem acesso à luz do dia, recebendo dieta pobre em nutrientes, para que não fortaleça seus músculos e dê origem a uma carne macia; ou os rodeios que os exploram para entretenimento humano, submetendo-os a práticas dolorosas como a prova do laço, na qual os bebês são laçados pelo pescoço, podendo sofrer lesões graves.

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