RIO DE JANEIRO            

Retorno de animais à Lagoa Rodrigo de Freitas motiva proposta de criação de bioparque

Em fase de elaboração, o projeto do bioparque deve ser apresentado em 16 de outubro, quando o programa Manguezal da Lagoa celebra 32 anos            
Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

O retorno de animais como frangos d’água, caranguejos e capivaras para a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, levou o biólogo Mário Moscatelli a decidir propor a criação de um bioparque público na região. A intenção é reintroduzir e monitorar animais, além de colocar placas informativas e educativas no local que, segundo evidências, apresenta melhor qualidade ambiental atualmente.

No próximo mês, o projeto de mangues na Lagoa, idealizado por Moscatelli, comemorará 32 anos. E em todo esse tempo, o biólogo avistou sete colhereiros, espécie de ave, pela primeira vez na lagoa recentemente. Pesquisadores afirmam que a última aparição da ave na região pode ter acontecido há 70 anos. Especialistas ouvidos pelo O GLOBO acreditam que isso se deve às melhores condições ambientais da região, que conta com uma rede de esgoto mais avançada, embora ainda necessite de mais cuidados e de novas obras. O replantio de manguezais também colaborou com a melhora ambiental.

Em fase de elaboração, o projeto do bioparque deve ser apresentado em 16 de outubro, quando o programa Manguezal da Lagoa celebra 32 anos. Na ocasião, uma cerimônia será realizada em frente ao Parque da Catacumba.

O objetivo do biólogo é construir um parque com “recintos de imersão com funcionalidade para as espécies que abriga e com a minimização de barreiras aos olhos dos visitantes”. “Com isso, poderemos incrementar a diversidade de espécies vegetais nativas, que são quem atraem os animais, e reintroduzir algumas espécies ainda ausentes, como a ave saracura-do-mangue. Além de colocar plaqueamento informativo nas margens, indicando as espécies, funções dos ecossistemas, em campanhas educacionais. Considero que, com isso, teremos inclusive um incremento nas atividades econômicas no entorno da Lagoa. Um bioparque público seria o próximo passo natural no processo de sucesso da renaturalização das margens da Lagoa”, completou.

Moscatelli lembrou que, além dos colhereiros, aumentou a quantidade de frangos d’água e de caranguejos na região. “Esses caranguejos já vejo aqui há alguns anos, só que a quantidade que eu identifiquei nas últimas três semanas me surpreendeu. No trecho do Piraquê à Igreja de São José avia centenas de caranguejos marinheiros nos caules das árvores de mangue vermelho e branco. Fiquei impressionado, E de todos os tamanhos. Neste final de semana, junto aos colhereiros, havia garças, biguás, frangos d’água, enfim, a turma estava animada”, disse.

Pesquisa sobre a fauna e a flora

Nos próximos meses, pesquisadores da Unirio realizarão o projeto “Ecoshift” na Lagoa Rodrigo de Freitas. Coordenada pelo oceanógrafo Luciano Neves, a iniciativa tem como objetivo levantar dados sobre a lagoa, como informações sobre a fauna e a flora, qualidade da água, presença de poluentes, contaminantes e sedimentos.

Em outubro e novembro, também deve ser realizado um trabalho em campo por meio do qual os pesquisadores irão realizar coletas para campanhas voltadas à contaminação de plástico na Lagoa.

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