CRIMES AMBIENTAIS            

Polícia Federal prende homem em operação contra turismo de caça em área de preservação

Os caçadores são suspeitos de ajudar outras pessoas a praticar crimes ambientais na região, em uma ação de fomento ao turismo de caça            
Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal realizou nesta terça-feira (10) uma operação contra o turismo de caça que resultou na prisão de um homem de 58 anos e na apreensão de armas, munições e carnes de animais silvestres. Os crimes teriam sido cometidos no Parque Nacional da Serra do Itajaí, uma unidade de conservação federal.

Os caçadores matavam os animais dentro do parque para depois realizarem a venda da carne. Além disso, eles são suspeitos de ajudar outras pessoas a praticar crimes ambientais na região, em uma ação de fomento ao turismo de caça.

A operação policial cumpriu mandados em Guabiruba e em Blumenau, municípios do estado de Santa Catarina. No primeiro município, pedaços de carne de nove mamíferos foram encontrados em um imóvel. Havia pedaços de corpos de cotias, quatis, macucos, aves e de um veado. Rádios-comunicadores, armas longas e 98 balas de espingardas foram apreendidas e levaram à prisão do homem que as possuía.

Oito policiais federais participaram da operação, que contou ainda com o apoio da Polícia Militar Ambiental e do
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente responsável pelo parque.

Foto: Polícia Federal/Divulgação

O objetivo da Polícia Federal é responsabilizar criminalmente os caçadores que contaram com o auxílio dos criminosos para participar do turismo de caça dentro da unidade de conservação. Também são alvo da investigação os compradores das carnes.

O inquérito investiga crimes ambientais e a prática de associação criminosa com a finalidade de matar animais silvestres em unidades de conservação. Os criminosos poderão ser punidos com até 9 anos e meio de prisão.

Atividade cruel

As caçadas são práticas desumanas que condenam os animais caçados à extremo sofrimento. No Brasil, tirar a vida de animais silvestres é crime previsto em lei, sendo autorizada apenas a caça aos javalis. Tratados como objetos, os javalis têm sua condição de seres vivos que sofrem, sentem e têm direito à vida negada. Trazidos ao país pelos brasileiros para que fossem explorados para consumo humano, eles depois foram abandonados e hoje são perseguidos, torturados e mortos.

Optar por matá-los ao invés de castrá-los é, por si só, cruel. Quando armas brancas, que intensificam o sofrimento dos javalis, e cachorros são envolvidos nas caçadas, a situação se torna ainda pior.

De acordo com o presidente da Comissão Nacional de Proteção e Defesa dos Animais da OAB, Reynaldo Velloso, a norma do Ibama que autoriza a exploração de cachorros na caça ao javali é inconstitucional. “A Instrução Normativa não só contraria o ordenamento descrito pela Constituição Federal, mas também a própria Lei de Crimes Ambientais. Estamos diante da terceirização da morte. Ao invés de promover o controle, o governo fomenta a matança, sem critérios, bastando apenas um simples cadastro. É a delegação do poder estatal sem maiores cerimônias. Um absurdo”, disse Velloso.

“A Constituição Federal veda qualquer exposição dos animais às crueldades e a Lei de Crimes Ambientais tutela os animais contra maus-tratos. Como é possível o IBAMA fomentar esta prática? Deveriam se preocupar com o tráfico de animais e não apoiar a matança de cães”, continuou.

Os argumentos de Velloso foram apoiados pelo biólogo Frank Alarcón, que afirmou que “estamos de volta aos tempos medievais, com estas práticas inconsequentes”.

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