INGLATERRA            

Serial killer é condenado a 5 anos de prisão por ferir e matar 16 gatos

Na sentença que condenou Bouquet à prisão, o juiz Jeremy Gold afirmou que o criminoso tem um comportamento "cruel" e pontuou que suas ações atacaram “o coração da vida familiar” dos tutores dos gatos que foram assassinados pelo serial killer            
Steve Bouquet ficou conhecido como o “Cat Killer de Brighton” (FOTO: EDDIE MITCHELL)

Um serial killer foi condenado a cinco anos e três meses de prisão pela prática de assassinatos e agressões em série contra 16 gatos em Brighton, na Inglaterra. A condenação coloca fim ao mistério que aterrorizou a vida de famílias britânicas durante os meses em que não se sabia a autoria dos crimes praticados pelo segurança Steve Bouquet, de 54 anos.

Dentre as vítimas de Bouquet, estão sete gatos que sobreviveram após sofrerem ferimentos graves e outros nove que não resistiram às agressões. Hendrix, Tommy, Hannah, Alan, Nancy, Gizmo, Kyo, Ollie e Cosmo são os nomes dos animais que morreram após serem esfaqueados e degolados entre outubro de 2018 e julho de 2019. Além de responder judicialmente pelos abusos praticados contra os gatos, Bouquet também foi punido por posse ilegal de arma branca durante julgamento realizado na última sexta-feira (30).

A crueldade dos crimes cometidos pelo britânico e o alto número de vítimas fez com que ele ficasse conhecido como “cat killer de Brighton” (assassino de gatos de Brighton, em tradução livre). Os casos, amplamente divulgados pela mídia local, revoltaram não só os moradores da cidade onde as mortes foram registradas, mas a população da Inglaterra como um todo.

Em nenhum momento, Bouquet confessou a autoria dos crimes, tendo se colocado como inocente e afirmado que não representava “nenhuma ameaça para os animais”. O serial killer chegou a dizer que teve conhecimento sobre os assassinatos de gatos na região através dos jornais. No entanto, imagens de câmeras de segurança comprovaram o envolvimento do britânico nos crimes.

O vídeo foi registrado por uma câmera instalada pelo tutor de um dos gatos assassinados e possibilitou que, após meses sem respostas, as autoridades conseguissem elucidar o caso. Depois de ser detido pela polícia, Bouquet teve seu celular apreendido e, através dos registros do aparelho, descobriu-se que ele esteve nos locais onde os crimes ocorreram. Na galeria de fotos do celular também foram encontradas imagens de dois dos gatos mortos. Além disso, uma testemunha disse à polícia que viu Bouquet comportando-se de maneira “estranha” no local em que um dos gatos foi encontrado morto e uma faca com a lâmina contaminada com DNA felino foi descoberta na casa do criminoso.

Stewart Montgomer e Hendrix, um dos gatos mortos pelo serial killer (FOTO: POLÍCIA DE SUSSEX)

De acordo com o investigador Chris Thompson, registros do computador de Bouquet mostraram “que ele acessou repetidamente um site relacionado a gatos perdidos na cidade, prestando atenção especial a um gato que foi morto”. “Ele também assistiu a vários vídeos relacionados à matança de cães e gatos, e duas fotos de um gato morto em um jardim, tiradas em diferentes horas do dia, foram recuperadas de seus dispositivos e acredita-se que tenham sido tiradas por ele”, completou o investigador em entrevista à BBC News.

Durante o julgamento, realizado no tribunal Hove Crown Court, na cidade de Hove, os tutores dos gatos assassinatos depuseram contra o serial killer e relataram ter encontrado os animais ensanguentados, mortos ou gravemente feridos. Nancy, uma das gatas mortas, escondeu-se embaixo de uma cama após ser brutalmente agredida. De acordo com seu tutor, manchas de sangue que saíam dos ferimentos ficaram pelo chão da casa, desde a porta de entrada. Após ser encontrada, Nancy foi imediatamente socorrida e chegou a ser internada com vida, mas teve uma parada cardíaca e morreu.

Na sentença que condenou Bouquet à prisão, o juiz Jeremy Gold afirmou que o criminoso tem um comportamento “cruel” e pontuou que suas ações atacaram “o coração da vida familiar” dos tutores dos gatos que foram assassinados pelo serial killer.

O perigo das ruas para gatos e cachorros

Os tutores de gatos mortos pelo serial killer Steve Bouquet, na Inglaterra, aprenderam da pior forma sobre a importância de impedir que animais tenham acesso à rua sem a supervisão de um responsável. Depois de lutar para salvar a vida de Cosmo e vê-lo morrer, Lucy Kenward se arrependeu amargamente por ter deixado que o animal saísse para a rua sozinho. Mesmo sem condições financeiras, ela investiu 5 mil euros em uma clínica veterinária para socorrer Cosmo, mas não conseguiu trazê-lo de volta para casa.

“Cosmo fazia parte da família, eu o tive oito anos antes de ele ser morto. Eu sinto um sentimento definitivo de culpa por minha decisão de deixá-lo sair”, lamentou. O sofrimento foi o mesmo para Emma Sullivan, que relatou ao tribunal o doloroso momento em que encontrou o gato Gizmo morto na calçada de sua casa. “Eu estava completamente perturbada. Eu desabava em lágrimas, completamente inconsolável”, disse.

Para Catherine Mattock, era impossível parar de pensar em Alan nos dias que se seguiram ao assassinato do gato. Até hoje, ela não consegue apagar da memória a cena do animal “morto, mas quente em meus braços, coberto de sangue”. Segundo a tutora, Alan tinha uma “natureza brincalhona e inocente”. Catherine disse ainda que, ao ver o gato correndo em direção à calçada, pensou que ele”ia ter um derrame”, mas quando se aproximou percebeu que o animal tinha sido esfaqueado.

Crimes como os cometidos pelo serial killer britânico vitimam animais em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde assassinatos de gatos envenenados são comuns. As ruas são perigosas para os animais, que podem não só ser envenenados, mas também agredidos e atropelados, além de correrem o risco de adquirir doenças ou sofrer ferimentos em brigas com outros animais.

Por conta disso, é necessário que o tutor impeça o acesso de cães e gatos à rua e isso pode ser feito por meio de telas de proteção. Em apartamentos, devem sempre ser utilizadas por famílias que tutelem cachorros ou gatos. Nas residências, deve ser estudada a necessidade do uso das telas no caso de casas onde vivem apenas cães – se o muro for alto e o portão for fechado, provavelmente não será preciso telar o imóvel. No entanto, em propriedades onde vivem gatos é sempre necessário recorrer às telas – seja nas janelas, mantendo o gato dentro de casa, ou no quintal.

Atualmente, há diversas empresas especializadas em telas de proteção. Para aqueles que precisam investir menos dinheiro, é possível comprar a tela e ganchos em lojas de material para construção e fazer a aplicação por conta própria.

Comente

Comunicar erro

Obrigado por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta.

Faça uma doação
               

Veja Também

ir para o topo