SUSTENTABILIDADE            

Paraibana de apenas 11 anos faz acessórios com material que iria para o lixo

Tiras de couro, restos de confecção de calçados, são transformados em acessórios            
Maria Clara na oficina do pai | Reprodução: site Uol

Maria Clara Oliveira, tão nova e já dá exemplo de como a sustentabilidade vale a pena, inclusive financeiramente.

A menina de Cabaceiras – PB, a 190 km de João Pessoa, nos dá uma aula de empreendedorismo consciente, reutilizando material que seria descartado, da oficina de  seu pai, para a confecção de acessórios.

Tudo começou com uma atividade pedagógica do projeto de educação financeira na escola onde Maria estuda. Ela ficou fascinada por um jogo de tabuleiro sobre formas de poupar e reutilizar recursos.

Maria então levou os conceitos do jogo para a vida: observando seu pai, que é artesão de objetos de couro, planejou uma maneira de reutilizar os retalhos da matéria-prima descartados.

O resultado são acessórios, principalmente pulseiras, feitos à mão, que estão fazendo sucesso na comunidade onde Maria Clara mora.

Pulseiras de autoria de Maria Clara | Reprodução: Instagram

“Fui procurar uma pulseira em uma loja e achei muito cara. Aí na oficina, vi um monte de couro que meu pai joga fora. Pensei assim: meu Deus, quanta coisa vai para o lixo. Pedi para meu pai separar umas tirinhas, peguei outras sobras de material e fiz minha pulseira”, acrescenta.

Maria foi para o a escola usando o acessório que as amigas adoraram e perguntaram onde comprar. “Eu disse que eu mesma tinha feito. Aí começaram a encomendar. Percebi que poderia unir os aprendizados de reciclagem e reaproveitamento sustentável que aprendi na escola com a possibilidade de fazer uma rendinha para mim”.

A demanda da estudante só aumenta. Através de uma conta na rede social Instagram (@pulseirastata2021) ela recebe pedidos de clientes do pai. “Tudo que dá pra reutilizar, eu uso. Potinhos de requeijão, baldinho de margarina… Reaproveito tudo que posso e transformo em presilhas, tiaras, cordões e pulseiras. Eu imagino o modelo e começo a fazer”.

Aquela atividade na escola abriu os olhos de Maria Clara, que percebeu quanto desperdício acontecia na oficina do pai. “Aí pensei nos acessórios. Eu mesma penso as peças, mas tenho ajuda do meu pai e de minha mãe. Meu pai me ajuda nos corte com a faca e minha mãe, na colocação dos preços”, contou Maria Clara em publicação do site Uol.

A importância de atividades pedagógicas, como a que Maria Clara experienciou, é crucial para a construção de uma consciência sobre a sustentabilidade para as novas gerações. Maria Clara planeja um futuro atuando em um negócio sustentável. “Espero fazer cursos e seguir aprendendo, vou estudar para estimular minhas ideias para essa área.”

A mãe da estudante, Marília Michele Oliveira, diz como isso têm impactado positivamente a família, influenciando na mudança de hábitos e levando os parentes a perceber vantagens no reaproveito de materiais. “Maria Clara já mostra ao pai onde ele pode aproveitar materiais e ele tem respondido bem às observações dela. Maria já deu até dica para o avô, que estava fazendo ovo de páscoa. Mostrou como ele poderia fazer com as embalagens etc. Eu notei esse interesse dela depois das atividades da escola”, disse.

O Projeto escolar

Saiba mais sobre o Instituto Brasil Solidário (IBS), responsável pelo projeto escolar, no site.

A cidade de Cabaceiras firmou parceria com o instituto em 2009, conta Rosilene Nunes Albuquerque de Oliveira, embaixadora do Instituto na Paraíba e coordenadora de educação financeira na cidade. “Em 2019 fomos convidados pelo IBS para fazer uma formação para a implantação de educação financeira com os jogos Piquenique e Bons Negócios. A escola Maria Neuly Dourado já havia implantado o JEPP (Programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos pelo Sebrae com a Educação Empreendedora), que foi um sucesso”, disse.

O resultado é um aprendizado interdisciplinar, com vários componentes curriculares e habilidades desenvolvidas. “O Professor usa uma sequência didática, sempre com objetivos definidos porque o jogo não é um jogo de tabuleiro convencional, mas sim um jogo pedagógico onde o aluno aprende a poupar, economizar, tomar decisões, respeitar regras, além do próprio componente curricular, os jogos também enfatizam a questão do meio ambiente, da sustentabilidade e principalmente da relação com o outro”, ressalta a educadora.

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