SONHO            

Veterinária arrecada fundos para transformar ONG em complexo de assistência aos animais

Para Amanda Luiza, que é vegana e batalha por uma medicina veterinária livre de testes em animais, a defesa animal e a vida profissional se fundiram. Não é atoa que seu desejo é exercer a profissão com foco voltado “a atividades de cunho social”            

Um sonho de criança motivou Amanda Luiza a escolher o curso de Medicina Veterinária. Mas exercer a profissão sem usar seus conhecimentos para auxiliar animais em situação de vulnerabilidade nunca brilhou os olhos da profissional, que hoje luta para transformar a ONG Casa Multipatas em “um complexo de assistência aos animais no Nordeste do Brasil”, como ela mesma define o projeto em um site de financiamento coletivo.

Para Amanda Luiza, que é vegana e batalha por uma medicina veterinária livre de testes em animais, a defesa animal e a vida profissional se fundiram. Não é atoa que seu desejo é exercer a profissão com foco voltado “a atividades de cunho social”.

Para realizar esse sonho, Amanda nutre a esperança de construir uma verdadeira corrente de solidariedade por meio da qual seriam feitas doações mensais a serem usadas para o custeio da formalização da ONG. Para conhecer melhor o projeto, confira abaixo a íntegra da entrevista que a veterinária concedeu à ANDA.

ANDA: O que te motivou a ser uma voluntária da causa animal?

Amanda Luiza: Desde pequena gostava de animais, sofria ao ver minha avó matando galinhas. Ia pra casa da outra avó cuidar das cadelinhas dela. Desde pequena eu dizia que queria ser veterinária por achar que era profissão totalmente dedicada ao cuidado com animais, mas não foi bem isso quando eu finalmente entrei na faculdade e conto um pouco disso em alguns vídeos no meu canal do YouTube.

ANDA: Seu voluntariado começou na faculdade de medicina veterinária ou você já auxiliava animais abandonados – alimentando-os ou resgatando-os, por exemplo – antes de entrar na universidade?

Amanda Luiza: Eu comecei uma faculdade de farmácia e lá tinha muitos gatinhos abandonados. Cheguei a levar dois gatinhos pra casa, não tinha noção de cuidados e nunca tinha cuidado de gatos antes. Desisti do curso de farmácia e fiz vestibular para medicina veterinária. Nessa mesma época eu estava me mudando para uma casa grande e resgatei minha primeira cadelinha sem raça definida. Ela se chama Pilanha e está muito doente com Leishmaniose visceral canina (calazar) , doença muito comum aqui no nordeste. Comecei a faculdade e no campus tem um histórico de abandono muito triste e comecei a alimentar, resgatar. Hoje sou casada e tutelamos 28 animais resgatados e todos com uma história triste de abandono e maus-tratos.

ANDA: O que te levou a cursar medicina veterinária?

Amanda Luiza: Um sonho de criança.

ANDA: Como surgiu a ideia de criar a ONG Casa Multipatas e por que esse foi o nome escolhido para a entidade?

Amanda Luiza: Exercer minha profissão mais voltado a atividades de cunho social. Casa Multipatas fala muito sobre o que eu faço na minha vida. “Casa” local de acolhimento e “Multipatas” por me importar com todas as espécies de animais. Esse nome representa todo o meu trabalho e missão. A formalização da ONG surgiu no momento que amadureci meu trabalho em medicina de abrigos durante a pandemia. Estamos há um ano atuando com animais ferais, comunitários e de abrigos. Com apoio da The Pollination Project, que nos financiou com mil dólares ano passado e da Veg Vets, que nos ajudou na formalização e compra de equipamentos pra minha clínica veterinária, Casa Multipatas também que dá suporte ao trabalho do projeto durante esse ano.

ANDA: Analisando o cenário pandêmico, de que maneira a pandemia de coronavírus prejudicou os cães e gatos?

Amanda Luiza: A pandemia trouxe junto crise econômica acentuada, locais fechados, rações e insumos com preços elevadíssimos. Os abrigos estão cada vez mais passando por dificuldade para manter os animais e proporcionar atendimento veterinário. Animais comunitários não encontram ponto de alimentação fácil, estão procriando nas ruas. Diante disso, começamos o atendimento veterinário a animais comunitários e abrigos de Fortaleza-CE em abril de 2020.

Além disso, fazemos CEVD (castração, esterilização, vacinação e devolução) de gatos ferais em duas colônias em Fortaleza-Ce. Mantenho comigo em torno de 25 animais (maioria gatos), cães e uma ovelha.

ANDA: Desde quando você é vegana e como teve início seu ativismo em prol do veganismo?

Amanda Luiza: Desde segundo semestre de 2012. Meu ativismo se chocou muito com a graduação, que é rica em produção animal. Continuam pouco no primeiro vídeo do canal do YouTube. Deixei de ir a algumas aulas práticas, a faculdade foi muito sofrida e de muita luta pelos animais.

ANDA: De que maneira você relaciona sua profissão e o voluntariado em prol dos cães e gatos com o ativismo vegano?

Amanda Luiza: O atendimento de cães e gatos é maior, pois os abrigos contém mais essas espécies. Mas contamos com atendimento de grandes animais e pequenos ruminantes com a ajuda de uma amiga Veterinária, Camila Goersch aqui de Fortaleza. Ela já atendeu porco, jumentos e ovinos juntamente comigo em visitas nos abrigos.

ANDA: Há relação entre o seu projeto com a Shelter Medicine dos Estados Unidos? Você se inspirou de alguma forma na Medicina de Abrigos norte-americana?

Amanda Luiza: Sim, me baseio na Shelter Medicine que é uma área da veterinária que atua com populações de animais. Visando atendimento em várias áreas: clínica, cirurgia, anestesia, comportamento de animais vulneráveis, quer seja em abrigos, animais comunitários ou ferais. Tenho aprendido sobre essa área com uma amiga mentora Isabelle Tancioni, que vivencia essa área em abrigos de coelhos em San Diego.

ANDA: Qual é a realidade dos animais abandonados em Fortaleza? É grande o número de cães e gatos em situação de rua?

Amanda Luiza: Há muito abandono e muitos animais na ruas, principalmente em periferias. Há uma desigualdade social enorme, falta de instrução e recursos para si próprios e para manter a saúde dos animais. Durante a crise sanitária e econômica e pouco auxílio do Estado a situação dos animais tendem a piorar. Atendemos animais de pessoas vulneráveis. Pessoas pobres, negras, idosas e LGBTs. Quanto mais é a vulnerabilidade social, mais a vulnerabilidade animal.

Lidamos com algumas situações de violência familiar, onde os animais são afetados também. E não só a violência do marido contra a esposa, mas também a violência do pai que não aceita um filho LGBT, por exemplo. E os animais envolvidos nessa cadeia de violência e opressão.

ANDA: O dinheiro arrecadado através da campanha de financiamento coletivo feita para custear o projeto da ONG Casa Multipatas será investido como?

Amanda Luiza: O dinheiro arrecado através da apoia-se será destinado a formalização da ONG, que requer o pagamento de várias taxas e custos mensais, além de compra de insumos, medicamentos, rações, equipamentos veterinários etc, que são custos altos e fixos.

ANDA: O que você diria para incentivar simpatizantes da causa animal a doar para o seu projeto?

Amanda Luiza: É um projeto pioneiro no nordeste do Brasil e idealizado por uma médica veterinária que vinculou sua trajetória profissional em prol dos animais.

ANDA: Podem ser feitas doações de qualquer quantia? Há um valor mínimo?

Amanda Luiza: Temos apoiadores mensais com o valor de 3 reais. Então, qualquer valor pode ser doado no link da campanha e se tornar um colaborador mensal.

ANDA: As doações são pontuais ou quem doar será cadastrado para que o valor seja doado todo mês para o projeto? Quais são as formas de doação (exemplo: transferência bancária, PIX, crédito, débito, boleto)? 

Amanda Luiza: As doações pelo link da campanha são mensais e lá temos uma rede de contato através de mensagens e postagens que os apoiadores vão interagindo com o projeto. Para quem não pode ou prefere outras formas de doação pode ser entrar em contato pelo email: casamultipatas@gmail.com, whatapps (85)987594180 ou Instagram: @vetamandaluiza.

Para colaborar através do portal “Apoia-se” clique aqui.

 

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