DENÚNCIA            

Jumentos explorados para consumo humano sofrem maus-tratos em fazenda na Bahia

O Tenente Benjamin, comandante do Pelotão da Polícia Militar de Itatim, esteve na fazenda e encontrou animais agonizando até à morte. "Estavam desnutridos, sem alimentação, sem água, muito maltratados, com muitos ferimentos. Algumas fêmeas prenhas acabaram abortando, sem qualquer assistência veterinária, não tinha medicamentos", relatou            
Foto: Polícia Militar

Dezenas de jumentos explorados para consumo humano estão sendo submetidos a maus-tratos em uma fazenda no município de Itatim, no interior da Bahia. No local, foram encontrados animais mortos e agonizando, feridos e debilitados, além de fetos mortos de fêmeas que abortaram devido aos maus-tratos. O caso foi denunciado à Polícia Militar e ao Ministério Público.

Ao tomar conhecimento da violência imposta aos animais, o presidente e fundador da Associação dos Protetores e Amigos dos Animais de Amargosa, Joelson Costa, acionou o Tenente Benjamin, comandante do Pelotão da Polícia Militar de Itatim, e relatou o caso. “Logo de imediato, eles foram no espaço e constataram a situação em que estavam esses animais, todos morrendo por falta de cuidados e maus-tratos”, afirmou Joelson em entrevista à Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA).

Os maus-tratos aos quais os jumentos foram submetidos, segundo o Tenente Benjamin, eram “notórios”. Ao comentar o caso à ANDA, o comandante da PM informou que esteve na fazenda e, após comprovar que as denúncias eram verídicas, registrou imagens do local e encaminhou o gerente da propriedade para a delegacia.

Às autoridades, o funcionário da propriedade relatou que a fazenda é alugada, o que foi confirmado pela polícia. Disse ainda que os proprietários são chineses que também são donos do matadouro do município de Amargosa. “Os animais estavam desnutridos, sem alimentação, sem água, muito maltratados, com muitos ferimentos. Algumas fêmeas prenhes acabaram abortando, sem qualquer assistência veterinária, não tinha medicamentos”, relatou o Tenente.

“Esses animais vêm de cidades distantes, às vezes passam dias com fome nesse translado, e são recebidos nessa fazenda e lá não tem alimentação suficiente, praticamente não tem capim nos pastos, não tem qualquer assistência e muitos, debilitados, acabam morrendo. Se fosse em Amargosa, a ADAB e a Vigilância Sanitária e o próprio Ministério Público iriam notificar o frigorífico e nesses municípios distantes eles conseguem burlar essa fiscalização”, explicou o comandante da PM.

Foto: Polícia Militar

De acordo com o Tenente Benjamin, o matadouro de jumentos situado em Amargosa “já apresentou problema de animais com maus-tratos”, situação que ocorreu também em Itapetinga, em 2018. “Por conta disso, a fiscalização do Ministério Público, da ADAB, da Vigilância Sanitária de Amargosa, é bem intensificada. Então, como forma de burlar essa fiscalização, o matadouro de Amargosa procura cidades circunvizinhas para que possam alugar propriedades rurais para colocar esses animais”, pontuou.

Durante a operação policial, o comandante se deparou com um caminhão que chegou ao local trazendo mais jumentos para a propriedade. “Tinha chegado uma carreta de animais naquele dia e o gerente falou que esses animais tinham vindo da cidade de Rodelas. Então, eles vêm de municípios diferentes e às vezes essas viagens levam três, quatro dias e os animais já chegam bem debilitados”, comentou.

“Os jumentos não são criados nessa fazenda, ela serve como um local de recebimento e fica no km 540 da BR-116, entre os municípios de Itatim e Milagres, mas eles têm uma outra fazenda maior, também alugada, que fica entre os municípios de Milagres e Iaçu, e dessa fazenda de Itatim às vezes eles transferem os animais para a outra, fazendo triagem. Separam macho e fêmea e levam para essa fazenda entre Milagres e Iaçu, que é uma fazenda maior, com muito mais animais – deve ter em torno de 400 a 500 jumentos lá -, mas que também estão passando pela mesma dificuldade, sem o devido cuidado”, completou.

Foto: Polícia Militar

Após receber a denúncia, o Tenente Benjamin comunicou os fatos ao Ministério Público para que providências sejam tomadas. Em entrevista à ANDA, o promotor Adriano Marques informou que um procedimento administrativo foi instaurado. “Tive conhecimento desse fato ontem [11 de julho]. Já pedi um relatório à Secretaria do Meio Ambiente e instaurei procedimento administrativo”, afirmou o promotor, que pertence à Comarca de Cruz das Almas, mas atua no momento como substituto na Comarca de Santa Teresinha, da qual Itatim faz parte.

Ao ser questionado sobre uma possível interdição da fazenda onde os jumentos foram encontrados, Marques afirma que “há essa possibilidade”, mas diz que antes precisa receber o “relatório técnico da Secretaria do Meio Ambiente”.

Para o presidente da Associação dos Protetores e Amigos dos Animais de Amargosa resta a esperança de que os responsáveis por submeter os jumentos a maus-tratos sejam punidos. “Que nossa lei seja rigorosa e que essas pessoas parem com o que estão fazendo com esses animais e que este espaço [onde os jumentos ficam confinados] seja completamente fechado, que eles não tenham mais como colocar animais nessas fazendas para sofrer dessa forma. Minha expectativa é de que a lei seja cumprida e que esse pessoal pague pelo que vem fazendo porque é lamentável a situação desses animais nessa fazenda”, afirmou Joelson, que disse desejar que “a causa animal seja respeitada na Bahia”.

Confira mais imagens abaixo:

Foto: Polícia Militar
Foto: Polícia Militar
Foto: Polícia Militar

 

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