TORTURA            

Homem agride cavalos a pauladas e causa a morte de um deles no Maranhão

Flagrado por testemunhas, o homem foi denunciado às autoridades. O caso segue sob investigação            
Foto: Freepik/Imagem Ilustrativa

Dois cavalos foram brutalmente agredidos por um homem em São Luís, no Maranhão. A tortura foi registrada por câmeras de monitoramento do bairro Parque Timbiras. Mais de uma semana após o ocorrido, a polícia ainda tenta identificar o agressor.

Usando um boné e se locomovendo através de uma bicicleta, o homem é flagrado pelo vídeo enquanto passa por uma rua do bairro. Em seguida, as imagens mostram o rapaz segurando um pedaço de madeira e usando-o para agredir os cavalos. Um dos animais foi encontrado morto por moradores do bairro.

O crime foi descoberto após uma moradora encontrar os cavalos feridos e verificar as imagens registradas pela câmera de sua casa. Indignada, ela denunciou o caso a uma entidade de proteção animal e relatou que o corpo do animal morto foi retirado do local por uma equipe da prefeitura. Já o cavalo sobrevivente foi levado por um homem não identificado.

Denunciado às autoridades, o caso foi levado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) e está sendo investigado pela Polícia Civil. Até o momento, quatro pessoas prestaram depoimento.

Diretora da entidade Patas em Ação, que resgata animais em situação de vulnerabilidade, Andreia Ricci relatou ao G1 que o caso também foi denunciado ao Ministério Público do Maranhão (MP-MA).

“O caso chegou até nós que se trata de um equino torturado até a morte. A partir de então, nós registramos um boletim de ocorrência na Secretaria do Meio Ambiente e acionamos o Ministério Público através da Promotoria do Meio Ambiente”, disse.

Tração animal: exploração e sofrimento

Para proteger cavalos e outros animais explorados por carroceiros, ativistas da proteção animal lutam para que a exploração de animais para puxar carroças e veículos similares seja proibida em São Luís. As instituições pedem também que os agressores dos animais sejam punidos.

“É preciso implementar uma política de bem-estar animal e nela, ter a Agência Municipal de Proteção dos Animais e com isso, nós teremos um entendimento municipal e estadual em defesa dos animais. A gente tem essa experiência como ativista e a gente vem denunciando essa realidade”, disse Sebastião Uchôa, presidente de honra da ONG Lar de Noé.

Vistos pelos humanos como seres nascidos para serem explorados em prol dos interesses da sociedade, cavalos e burros são frequentemente tratados como máquinas. Forçados a puxar veículos de tração animal, eles vivem vidas miseráveis. Muitos sofrem maus-tratos constantes, incluindo agressões e privação de cuidados adequados.

Encontrar esses animais soltos em vias públicas, correndo risco de atropelamento, não é raro. Omissos com a tutela desses seres vivos, os tutores que buscam facilidades e se esquivam de trabalho, não querem mais nada além de forçar cavalos e burros a carregar cargas e transportar pessoas. Por isso, é comum que não exista preocupação com uma alimentação adequada, tampouco com a necessidade de mantê-los em um local confortável e que não os submeta a riscos.

Estudos comprovam que o peso de uma única pessoa sobre a coluna de um cavalo pode ser suficiente para prejudicar sua coluna – que dirá as cargas excessivas que esses animais são obrigados a transportar. O freio colocado na boca dos cavalos também gera feridas na língua desses animais e, ao serem puxados pela corda presa ao freio, eles sentem dor.

A vida na natureza, com outros animais, não faz parte da rotina da maior parte desses cavalos e burros. Isso porque até mesmo os que são criados na zona rural passam a maior parte do tempo puxando carroças, sem poder desfrutar da própria vida. Pastar livremente, dormir, interagir com outros animais, livres de celas, peso, incômodos e dores pode parecer pouco para humanos que consideram inútil respeitar o instinto de um animal. No entanto, as atividades executadas por conta própria definem quem são os cavalos, burros e quaisquer outros animais e devem ser respeitadas como o que são: a essência de cada um deles.

Nenhum animal nasce para atender às demandas humanas. Eles existem por propósitos próprios. Mas a humanidade só será capaz de entender isso quando aceitar que humanos não são superiores e não podem controlar, subjugar, maltratar, explorar e matar animais por terem interesses por trás dessas ações. Cada animal é uma vida e deve respeitado como sujeito de direitos – dentre eles, o direito de ser quem se é sem ser visto como um objeto à serviço dos seres humanos.

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