CAUSA DESCONHECIDA            

Mais uma baleia-jubarte é encontrada morta no litoral de Santa Catarina

No total, dez casos de baleias-jubarte mortas já foram registrados no estado apenas neste ano            
Foto: PMP/BS/Univille

Mais uma baleia-jubarte foi encontrada morta no litoral de Santa Catarina. Já são dez casos registrados no estado só neste ano. O último corpo encontrado foi de um filhote que apareceu morto na praia de Balneário Barra do Sul no domingo (20).

Equipes da Univille, responsável pelo Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP/BS) na região, foram enviadas ao local e realizaram a necropsia do corpo, que também foi enterrado na areia.

De acordo com o PMP/BS/Univille, a maré estava muito alta no domingo e, por isso, os profissionais precisaram esperar o recuo do mar para ter acesso ao animal, o que aconteceu na manhã da segunda-feira (21).

Conforme informado pelo programa, os técnicos de campo realizaram o registro fotográfico, a biometria e a análise externa do filhote de baleia. “Algumas amostras padrão foram coletadas, como pele, músculo e gordura”, diz nota do PMP/BS/Univille enviada ao G1.

Até o dia 17 de junho, nove baleias-jubarte já haviam sido encontradas mortas em Santa Catarina. Os dados foram levantados pela Associação R3 Animal, de Florianópolis. De acordo com a médica veterinária e presidente da entidade, Cristiane Kolesnikovas, as causas das mortes ainda são desconhecidas. Uma das baleias foi encontrada presa ao cabo de uma rede, ao qual ficou aprisionada por cinco dias. O corpo dela foi enterrado no dia 16 de junho.

Foto: PMP/BS/Univille

“As baleias-jubarte normalmente migram para mais longe do nosso estado e vão para o Banco de Abrolhos, entre Espírito Santo e Bahia. Os indivíduos juvenis é que estão morrendo no nosso litoral e também se enredando. Então, este ano está bem atípico. Em 2015 e 2016, tivemos mortalidade alta de baleias jubarte também e este ano temos ainda muitas avistagens de animais vivos”, afirmou a veterinária ao Notícia na Manhã.

Cristine explicou também como ocorre a morte de baleias presas a redes de pesca. O equipamento pesqueiro frequentemente vitima animais marinhos em todo o mundo. “As baleias enredadas, em muitos casos, têm dificuldade de natação. Outras, como a da Praia da Solidão, ficam presas e morrem, a gente chama de, asfixiadas. Os animais marinhos quando mergulham já têm o reflexo de travar a respiração e quando não conseguem subir à superfície por algum motivo, pode ser por enredamento, travam a respiração e morrem asfixiadas. Elas dificilmente aspiram a água”, relatou Cristiane.

Medidas para proteger animais marinhos no Brasil

Para evitar casos de molestamento de cetáceos que podem levar esses animais à morte, o Ibama publicou a portaria 117/96. Através dela, foram definidas as seguintes recomendações: respeitar as distâncias de aproximação embarcada (desligar ou colocar os motores em neutro a 100m); nunca avançar bruscamente na direção das baleias; não se aproximar por detrás das baleias, nem interceptar o seu curso, mantendo-se afastado em posição lateral; não separar grupos de baleias ou mães de filhotes; nunca religar os motores sem avistar claramente os animais na superfície; não fazer ruídos desnecessários, nem jogar qualquer objeto na água; e não permanecer junto às baleias por mais de 30 minutos.

O Ibama também orienta a população a evitar fotografar os animais marinhos fazendo uso de flash e a não fornecer alimentos para nenhum deles, sob risco de adoecê-los. É recomendado também que a população não force o animal a entrar na água ao encontrá-lo descansando na areia da praia. Deve-se também manter distância segura dos animais e impedir que cães e gatos tenham contato com eles para evitar brigas e possíveis transmissões de doenças.

Ao encontrar um animal marinho morto ou debilitado, o correto é isolar a área ao redor do animal e acionar a equipe de resgate através do telefone 0800 642 3341.

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