COVARDIA

Bois vivos são arrastados presos a carros após acidente com caminhão

Imagens mostram um boi agonizando enquanto é arrastado por um veículo. Após a carreta que o transportava tombar, o animal ferido foi amarrado a um carro, sendo submetido a sofrimento pela segunda vez em um único dia            
Foto: Reprodução

Bois foram submetidos a extremo sofrimento, amarrados a carros e arrastados pelo asfalto ainda vivos, depois que o caminhão que os transportava tombou na BR-381, em Nova Era, em Minas Gerais. A cena de violência foi registrada em vídeos que mostram motoristas se aproveitando do acidente para levar os bois na provável intenção de consumir a carne dos animais.

Ao ser questionada sobre o caso, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) disse que não presenciou os maus-tratos contra os bois nas horas em que esteve no local do acidente – das 23h30 de quinta-feira (10), quando foi acionada, até 3h da madrugada de sexta-feira, quando os policiais saíram para atender outra ocorrência envolvendo acidente na rodovia.

Embora a crueldade promovida contra os bois não tenha sido confirmada pelas autoridades, vídeos enviados ao G1 não deixam dúvidas sobre o que ocorreu no local. Nas imagens, os bois aparecem amarrados, sendo arrastados por carros. Alguns deles já mortos, outros com vida.

A cena foi registrada após um caminhão que transportava 62 bois tombar em uma curva no km 322 da rodovia, na pista sentido Belo Horizonte. Não se sabe de onde a carreta saiu, tampouco qual era seu destino, já que nenhum documento foi encontrado no interior do caminhão.

Com o tombamento do veículo, o motorista sofreu apenas ferimentos leves e foi resgatado por socorristas voluntários que prestam serviço na rodovia. Sobre o estado de saúde dos bois, não foram repassadas informações mais concretas. Nos vídeos, no entanto, é possível ver corpos de animais mortos caídos ao redor da carreta e presenciar também um deles agonizando enquanto é puxado, ainda com vida, por um carro.

Segundo a PRF, o caminhão foi retirado do local na tarde de sexta-feira e até o início da noite nenhum boletim de ocorrência havia sido registrado para denunciar a ação dos motoristas que levaram os bois amarrados a veículos.

O sofrimento de animais tratados como coisas

O ato brutal de se amarrar um boi vivo a um carro e arrastá-lo pelo asfalto tem relação direta com a forma que esses animais são vistos pela sociedade. Até mesmo os consumidores de produtos de origem animal que não teriam coragem de arrastá-los em uma estrada fazem parte da engrenagem que leva pessoas a ter essa coragem. Isso porque os motoristas que cometeram tamanha violência em Minas Gerais não nasceram dispostos a fazê-la, mas cresceram em uma sociedade que objetifica bois e naturaliza as crueldades cometidas contra esses animais em fazendas e matadouros. Inseridos nesse contexto doentio, eles consideram tão natural matar um boi que não enxergam esse animal como um ser que sofre e sente dor. Por isso, chegam ao ponto de amarrar bois vivos em veículos e arrastá-los pelo asfalto depois de um acidente já ter condenado esses animais a tanto sofrimento.

Os horrores da agropecuária, no entanto, vão além. A destruição de sentimentos de compaixão e empatia dentro de cada consumidor de carne é apenas uma das tantas violências cometidas pelo setor. E é o fim desses sentimentos nobres que cega o ser humano a ponto de sequer refletir sobre o transporte de mais de 60 bois em uma única carreta. Você já se imaginou em um ambiente desse? Faça esse exercício de humildade e, sem a prepotência de se considerar superior a um animal, coloque-se no lugar dele.

Ao final de uma vida de sofrimento, vacas e bois são dessensibilizados com um tiro que, muitas vezes, sequer os deixa inconscientes para serem esfaqueados e mortos (Foto: Animal Equality)

Os animais explorados para consumo humano são submetidos a extremo sofrimento. Maltratados, torturados e covardemente mortos, eles são vítimas da gula e da ganância. Criados para serem mortos, vivem muito menos do que viveriam se não fossem condenados à morte.

No caso dos bois, a indústria, que os vê como mercadorias lucrativas, os queima com ferro quente para identificá-los, os eletrocuta com picanas elétricas para guiá-los de maneira forçada, e os mata precocemente. Após serem queimados e eletrocutados – procedimentos dolorosos que causam sofrimento físico e psicológico -, eles são amontoados em caminhões superlotados.

Em meio aos próprios excrementos e sem espaço para deitar e descansar, eles viajam por horas. Sofrem com a privação de água e alimento, além de suportarem as condições climáticas sem qualquer abrigo. Quando o tormento do transporte chega ao fim, sem que acidentes ocorram, inicia-se a tortura da morte. Em caso de acidentes, os bois são deixados à própria sorte. Veterinários não são acionados e eles agonizam até perderem a vida. Os que sobrevivem são levados de volta ao matadouro.

Vacas e bois são queimados vivos, com ferros quente, para que sejam marcados através de um cruel sistema de identificação (Foto: Animal Equality)

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