ESPÉCIE AMEAÇADA

Caçador é preso após matar onça-parda para consumir a carne do animal

Ao ser questionado pelos policiais, o homem confessou o crime. A onça assassinada pertence à espécie ameaçada de extinção.

Foto: Pixabay | Ilustrativa

Um homem foi preso pela Polícia Militar Ambiental em São Carlos, no interior de São Paulo, após matar uma onça-parda a tiros. Ele responderá judicialmente por crime ambiental e porte ilegal de arma de fogo.

O crime aconteceu na noite da última segunda-feira (7) em uma propriedade rural e foi descoberto após uma denúncia indicar a prática de caça a animais silvestres na região da Fazenda São Bento.

Ao chegar no local indicado, a PM encontrou o homem acusado de ter matado a onça e se deparou com os restos mortais do animal. Diante do flagrante, o caçador confessou o crime e alegou que tirou a vida da onça-parda para consumir sua carne. Ele foi multado em R$ 5 mil por caçar animal ameaçado de extinção.

Na casa do caçador, a polícia encontrou uma espingarda calibre 36 com quatro cartuchos. Os restos mortais da onça, também conhecida como suçuarana, haviam sido descartados pelo homem em uma área pantanosa da região.

A crueldade da caça

As caçadas são práticas desumanas que condenam os animais caçados à extremo sofrimento. Tratados como objetos, os javalis têm sua condição de seres vivos que sofrem, sentem e têm direito à vida negada no Brasil. Trazidos ao país pelos brasileiros para que fossem explorados para consumo humano, eles depois foram abandonados e hoje são perseguidos, torturados e mortos.

Optar por matá-los ao invés de castrá-los é, por si só, cruel. Quando armas brancas, que intensificam o sofrimento dos javalis, e cachorros são envolvidos nas caçadas, a situação se torna ainda pior.

De acordo com o presidente da Comissão Nacional de Proteção e Defesa dos Animais da OAB, Reynaldo Velloso, a norma do Ibama que autoriza a exploração de cachorros na caça ao javali é inconstitucional. “A Instrução Normativa não só contraria o ordenamento descrito pela Constituição Federal, mas também a própria Lei de Crimes Ambientais. Estamos diante da terceirização da morte. Ao invés de promover o controle, o governo fomenta a matança, sem critérios, bastando apenas um simples cadastro. É a delegação do poder estatal sem maiores cerimônias. Um absurdo”, disse Velloso.

“A Constituição Federal veda qualquer exposição dos animais às crueldades e a Lei de Crimes Ambientais tutela os animais contra maus-tratos. Como é possível o IBAMA fomentar esta prática? Deveriam se preocupar com o tráfico de animais e não apoiar a matança de cães”, continuou.

Os argumentos de Velloso foram apoiados pelo biólogo Frank Alarcón, que afirmou que “estamos de volta aos tempos medievais, com estas práticas inconsequentes”.

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