SINERGIA

ANDA e GAP: mais de uma década de luta e parceria pelos direitos animais

Vista aérea do Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba (SP) | Divulgação

O Projeto dos Grandes Primatas (GAP, na sigla em inglês para Great Ape Project) é o mais antigo parceiro da ANDA e apoia a ONG desde a sua fundação. Criado em 1994, o GAP é um movimento internacional que luta pelo reconhecimento dos direitos animais e pela liberdade dos grandes primatas, como chimpanzés, gorilas, orangotangos e bonobos. O projeto está presente em 13 países, inclusive no Brasil. O maior e mais importante santuário no país é o Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba (SP), fundado pelo empresário e microbiologista cubano Dr. Pedro Ynterian, atual Secretário Geral do GAP. O local tem cinco hectares de área e 63 recintos para chimpanzés, alguns com 1.000 metros quadrados, divididos em 14 complexos, e abriga cerca de 250 animais, sendo 47 chimpanzés e outros pequenos primatas, aves, felinos e ursos.

Em entrevista à ANDA, Dr. Pedro fala sobre os 21 anos de atividades do projeto no país. “O movimento GAP chegou ao Brasil no ano 1999/2000 e desde então há quatro santuários afiliados no país. Juntos, esses santuários hoje abrigam 76 chimpanzés e uma orangotango. Os santuários de Sorocaba e do Paraná também abrigam outras espécies de animais, como felinos, aves e pequenos primatas. De todos esses animais, a grande maioria chegou aos santuários em condições delicadas, seja física ou psicológica. Com o cuidado e o acompanhamento das equipes, e o respeito à sua individualidade e à liberdade (não exploração comercial, não exibição ao público, liberdade entre áreas abertas e fechadas em recintos grandes, chances de socializar com outros da mesma espécie, acompanhamento veterinário constante etc), todos foram reabilitados e passaram a usufruir de uma qualidade de vida nunca antes experimentada”, afirmou.

Dr. Pedro e Guga, símbolo do santuário | Foto: Divulgação

Dr. Pedro alertou ainda sobre a relevância de projetos como o GAP. “A importância da existência dos santuários está no fato dos grandes primatas mantidos em condições de cativeiro no Brasil não terem condições de serem reintroduzidos na natureza. Por isso, os santuários são os locais mais adequados para eles terem a melhor qualidade de vida possível em cativeiro. Além disso, através do trabalho de reabilitação dos santuários, o projeto GAP desenvolve o trabalho educativo e de conscientização extremamente importante para que as pessoas se informem sobre os seus direitos e desenvolvam um pensamento crítico sobre a forma como nos relacionamos com os animais e as mudanças que são necessárias para evitar sofrimento e garantir a conservação das espécies no ambiente natural”, reforçou.

Histórias emblemáticas

Caco sofria com transtornos psicológicos | Foto: Divulgação

Entre os casos mais marcantes envolvendo o Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba, Dr. Pedro lembra com a carinho das histórias de Caco, Cecilia e Jimmy. Caco nasceu nos anos 80 e foi mantido em cativeiro por uma família, criado como animal domésticos. Em seguida, ele foi encaminhado para o zoo de Curitiba e depois para o zoo de Sorocaba. Caco desenvolveu graves distúrbios psiquiátricos. Ele se automutilava, mordendo a própria pele e musculatura. O chimpanzé estava prestes a ser condenado à morte, mas, felizmente, foi resgatado pelo santuário. Lá, a qualidade de vida do animal melhorou drasticamente. Ele passou a interagir com a chimpanzé Jully e os seus sintomas de estresse, ansiedade e depressão desapareceram. Caco é muito brincalhão, curioso e carinhoso com seus cuidadores.

Cecília chegou ao santuário em 2017 e protagonizou uma luta que se tornou um marco para a história dos direitos animais. Ela foi o primeiro chimpanzé a ser libertada de um zoo por meio de um habeas corpus. Ela nasceu em 1997 e viveu anos aprisionada no Zoológico de Mendoza, na Argentina, onde era mantida sozinha, deprimida, em um recinto precário. Quando chegou ao santuário do GAP em Sorocaba, ela rapidamente se aproximou do chimpanzé Marcelino e desenvolveu suas habilidades sociais. Cecília, que outrora era apática e introspectiva, hoje, é muito ativa, alegre, observadora e expressiva. Ela compartilha sua rotina com Marcelino de forma afetiva e harmoniosa.

O chimpanzé Jimmy nasceu em 1992 e viveu sozinho por mais 10 anos em um recinto minúsculo no Jardim Zoológico de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ele chegou ao santuário em 2011, após uma operação de resgate feita pelo Ibama depois de denúncias de maus-tratos. Apesar de viver anos em completa solidão, negligência e exploração, Jimmy é muito sociável, doce e se revelou um pai adotivo extraordinário, vivendo muito bem com os filhos de Samanta – Sofia, Sara, Suzi e César -, tendo muita paciência para cuidar de todos eles. É muito carinhoso, calmo, teimoso, determinado e adora tomar banho de mangueira.

Caso Black

Black conheceu o amor e a liberdade nos últimos meses de vida | Foto: Divulgação

Em 2018, a ANDA, em parceria com a Associação Sempre pelos Animais de São Roque, apresentou uma ação judicial pedindo a libertação do chimpanzé Black, então aprisionado no Parque Zoo Municipal Quinzinho de Barro, em Sorocaba. Em maio de 2019, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a transferência de Black para o santuário do GAP. Lá, ele deixou décadas de abusos e sofrimento para trás e conheceu a liberdade. O chimpanzé foi explorado por um circo e por dois zoológicos. Ele estava obeso e com dentes quebrados. Black conheceu o que é ser tratado com respeito e dignidade e ficou muito próximo da chimpanzé Dolores. Em fevereiro de 2021, após cerca de dois anos vindo de forma harmoniosa, pacífica e próspera no santuário, Black faleceu com aproximadamente 50 anos.

Um apoio fundamental

O trabalho do Dr. Pedro é pautado no amor e respeito pelos animais | Foto: Divulgação

Dr. Pedro pontua também a importância do trabalho realizado pela ANDA e da parceria com o Projeto dos Grandes Primatas. “É um importante canal para educação e conscientização, ao propor a divulgação de informações relativas a direitos dos animais não humanos. Este conceito é extremamente importante para o Projeto GAP e por isso o apoio e a parceria é estratégico e produtivo. O motivo [de firmar a parceria] é justamente o diferencial da ANDA ser uma agência especializada e com o foco em um objetivo pelo o qual o GAP trabalha. Os frutos conquistados dizem respeito à conscientização do público e não há dúvidas que muitas conquistas ainda virão nesta frente com a continuidade da parceria”, declarou o Secretário Geral do GAP.

A presidente e fundadora da ANDA, Silvana Andrade, afirma que a parceria com o Projeto dos Grandes Primatas é fundamental para todo o trabalho que é realizado pela ONG. “Ter o apoio do GAP possibilitou a conquista de diversas vitórias em favor dos direitos animais. A atuação do Dr. Pedro Ynterian e toda a equipe do Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba (SP) são de extrema importância para a conscientização da sociedade sobre o respeito e o reconhecimento dos direitos dos primatas e de todas as espécies. Desejamos que essa parceria se fortaleça a cada dia. Somos profundamente gratos e honrados por ter o GAP como um dos condutores do trabalho que realizamos”, finalizou.

Conheça mais e acompanhe o trabalho do GAP acessando o site, o Instagram e o Facebook.

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