SOBREVIVÊNCIA            

Subespécie mais rara de lobo da América do Norte quase dobra sua população em 5 anos

Ambientalistas estão esperançosos com o aumento nos números mas continuam dizendo que os lobos estão em uma situação precária            
Imagem de espécie rara
Reprodução/Kena Betancur/AFP/Getty Images/TheGuardian

Uma vez à beira da extinção, a subespécie mais rara do lobo cinzento da América do Norte viu a sua população quase dobrar durante os últimos 5 anos, com ainda mais ganhos sendo reportados em 2020. 

Os resultados do último censo do animal mostram que existem pelo menos 186 lobos-mexicanos nas áreas selvagens do Arizona e do Novo México, disse o representante da US Wildlife na sexta. Isso marca o quinto ano seguido em que a espécie ameaçada aumenta de número, de acordo com o US Fish and Wildlife Service.

A reintrodução do lobo-mexicano ao sudoeste americano começou a mais de duas décadas atrás. O programa colocou ambientalistas, residentes das áreas rurais e diretores dos serviços de proteção à vida selvagem uns contra os outros, apontando muitos desafios legais ao invés de gerenciar os esforços. O último caso pendente envolve a reescritura do plano de gerenciamento para os animais do serviço governamental americano.

Alguns detalhes da pesquisa feita durante o inverno foram incluídos em arquivos de processos judiciais feitos esta semana.

Ambientalistas dizem que eles se sentem esperançosos a respeito dos números, mas dizem que os lobos ainda se encontram em situações precárias.

Bryan Bird, diretor do programa Defenders of Wildlife no sudoeste americano, afirmou que assegurar que os lobos e as pessoas possam coexistir continuará sendo uma parte essencial para o sucesso a longo prazo da recuperação desta espécie.

Ele disse estar esperançoso com o governo federal por terem tornado uma prioridade a recuperação dos lobos. “Então, enquanto a gente fica animado com um aumento nos lobos, a limitação da variabilidade genética e altas taxas de caça a esses animais continuam a atrasar os esforços de recuperação”, ele disse. “Ainda há trabalho a ser feito para estabilizar uma população auto-sustentável de lobos-mexicanos”.

Michael Robinson do Centro para Diversidade Biológica disse que proteções mais rigorosas eram necessárias para os lobos, além de maior efetividade nos esforços de devolver os animais de cativeiro para a vida selvagem. 

Enquanto isso, fazendeiros e residentes de áreas rurais das regiões montanhosas do sudeste do Arizona e sudoeste do Novo México, por onde vagam os lobos, dizem que mortes de animais de pecuária devido a predação continuam a aumentar conforme a população de lobos aumenta.

Diferentemente dos lobos que foram reintroduzidos em Yellowstone ao norte dos EUA, os diretores das agências de proteção do sudoeste tiveram que lidar com um clima que propiciou uma temporada de nascimentos durante todo o ano, o que significa que conflitos entre os rebanhos e os lobos são constantes e não apenas durante uma época específica.

Fazendeiros afirmam que os lobos estão ficando mais descarados apesar dos esforços para espantá-los usando pessoas rondando à cavalo e sinalizadores ao longo das cercas. O grupo de proteção aos animais também usa alimentos como forma de tirar os lobos de perto dos rebanhos. 

De acordo com a última pesquisa, haviam 114 lobos no Novo México e 72 no Arizona, o que marca um aumento de 14% em relação ao ano passado. Em 2019, o grupo de proteção documentou um aumento de quase 25%. 

Brady McGee, coordenadora de recuperação dos lobos-mexicanos para o Fish and Wildlife Service, notou que quase metade dos 124 filhotes que nasceram em 2020 haviam sobrevivido. A expectativa de sobrevivência dos lobos-mexicanos é de 50%.

“A produção de filhotes e o acompanhamento da população selvagem é extremamente importante para a recuperação dessa espécie. Nós estamos muito animados em ver que esse número continua a subir”, ele disse em um pronunciamento.

O grupo de proteção também devolveu 20 filhotes nascidos em cativeiro para a vida selvagem em 2020 como parte de um programa de adoção-cruzada programado para aumentar a variabilidade genética da população. Os agentes falaram que desde então 7 animais dentre os filhotes já foram capturados para acompanhamento e que esses esforços essenciais para a manutenção da espécie irão continuar esse ano.

Também existem mais alcateias vagando em 2020 quando comparado ao ano anterior. E isso inclui cerca de 20 pares que acasalaram e tiveram filhotes.

O grupo de proteção também documentou a morte de 29 lobos em 2020. Muitos desses casos ainda estão sob investigação e os oficiais raramente soltam alguma informação.

As agências de proteção à vida selvagem rastreiam os lobos usando colares com rádios que fornecem informações em tempo real sobre a localização e o comportamento, o que ajuda a gerenciar a população. Cerca de 100 lobos já receberam as coleiras. 

Antes comum ao longo de todo o sudoeste americano e no norte do México, o lobo-mexicano sofreu muito e quase foi eliminado nos anos 70, forçando o governo dos EUA a desenvolver um programa de reprodução. Existem cerca de 350 lobos-mexicanos em mais de 55 zoológicos e outras instituições ao redor dos Estados Unidos e do México.

 

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