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Ímãs, aspiradores e pequenas redes: a nova luta contra os microplásticos

Minúsculos plásticos estão surgindo no ar, em nossa água potável e nossas placentas. Veja como os inovadores estão lidando com a crise.            
Foto: Reprodução | Google Imagens

Quando se trata de microplásticos, raramente há notícias boas. Os pesquisadores continuam encontrando pequenos fragmentos de plástico em todos os lugares que olham.

Microplásticos foram encontrados na chuva, núcleos de geloártico, dentro dos peixes que comemos, bem como em frutas e vegetais. Uma nova pesquisa sugere que 136.000 toneladas de microplásticos são ejetadas do oceano a cada ano, terminando no ar que respiramos. Eles estão em placentas humanas, nosso efluente e nossa água potável.

Todos os resíduos de plástico, independentemente do tamanho, são prejudiciais ao meio ambiente. Porém, os microplásticos representam um desafio especial devido ao seu tamanho minúsculo (alguns são 150 vezes menores que um fio de cabelo humano) e capacidade de entrar na cadeia alimentar. O resultado é que todos os aditivos químicos acabam na carne e nos órgãos de peixes e em humanos.

Embora a postura da Organização Mundial da Saúde seja de que a ingestão de microplásticos não representa uma ameaça conhecida à saúde humana, nem todos concordam. “Acho que sabemos o suficiente hoje para nos preocupar com isso”, diz o Dr. Douglas Rader, cientista-chefe dos oceanos do Fundo de Defesa Ambiental, apontando que muitos microplásticos contêm substâncias químicas ligadas a distúrbios reprodutivos e hormonais e câncer.

Entretanto, não é apenas uma má notícia. Alguns agora estão inovando na extração de microplásticos, fornecendo a base para um toque de otimismo cauteloso. Veja esses exemplos:

Um ímã de microplástico

Uma forma de remover os microplásticos da água é estimulá-los a se aglutinarem em compostos que podem ser filtrados. Ou, no contexto do trabalho do inventor irlandês Fionn Ferreira (20 anos), magnetizados.

Ferreira criou um ferrofluido caseiro – uma mistura magnética de óleo e ferrugem em pó – e o usou com sucesso para remover 88% dos microplásticos de amostras de água. Os esforços de Ferreira lhe renderam o prêmio principal na Google Science Fair 2019. Ele espera incorporar suas descobertas em um dispositivo compatível com os sistemas de filtração existentes, como os das
estações de tratamento de águas residuais (a maioria dos quais não consegue filtrar suficientemente os microplásticos).

No futuro, ele planeja testar se pode usar o dispositivo para fazer um filtro autolimpante para motores oceânicos. “Ele poderia ser construído na entrada de água já existente e nas saídas dos navios usados para resfriar os motores, de modo que enquanto eles absorvem a água e enquanto dirigem pelos oceanos, eles podem limpar a água que passa esses motores”, diz ele. (No outono de 2020, a Suzuki Motor Corporation anunciou planos para introduzir um filtro microplástico em seus motores de popa de embarcações usando uma lógica semelhante). Usando Limpa-fundo como “aspiradores vivos”.

O Dr. Juan José Alava, especialista em ecotoxicologia e conservação marinha, acredita que a resposta para o problema dos microplásticos já pode estar no meio ambiente. Alava estuda organismos que ele chama de “aspiradores de pó vivos”, incluindo alimentadores de fundo como pepinos do mar, bem como organismos muito menores que constituem “comunidades microbianas
epiplásticas”: cepas de bactérias capazes de quebrar o material sintético, algumas das quais originalmente evoluíram para metabolizar polímeros de ocorrência natural, como lignina e cera, e outros que evoluíram para comer lixo plástico especificamente.  “A ideia é identificar comunidades de bactérias e tentar aprimorá-las – não incorporando uma nova mistura de genes criados por humanos, mas estimulando-os a quebrar o plástico”, diz ele.

Quando um organismo consegue eliminar mais plástico do que acumula em seu corpo ou resíduos, ele se torna “nosso melhor aliado” na luta contra os microplásticos, comenta Alava. Uma tela que pode capturar “poeira de plástico”.

Marc Ward começou a se preocupar com os microplásticos há mais de 15 anos, enquanto estudava as ameaças às populações de tartarugas marinhas selvagens na Costa Rica. Não apenas as tartarugas estavam engolindo microplásticos tóxicos, mas as praias isoladas em que faziam seus ninhos estavam entupidas de partículas de plástico.

Ward começou a pesquisar praias na América do Sul e perto de sua casa na costa do Oregon, vasculhando a areia com uma tela carregada de estática capaz de capturar partículas de plástico tão pequenas quanto 50 mícrons – essencialmente poeira de plástico. Em algumas áreas, ele encontrou 10 quilos de microplástico em cada metro quadrado de praia. A gota d’água para Ward veio quando, logo após ser coautor de um artigo sobre a toxicidade do plástico marinho, ele trouxe seu filho de dois anos para sua praia favorita em Oregon apenas para ver a criança tentar imediatamente colocar um pedaço de lixo de plástico em sua boca.

Agora, Ward trabalha com uma equipe para filtrar milhares de libras de plástico das praias de Oregon todos os anos como parte de sua iniciativa sem fins lucrativos, Sea Turtles Forever’s Blue Wave. Pode ser que a areia que limpa o filtro na praia seja semelhante a lascar uma montanha e que as correntes oceânicas possam desfazer esse trabalho de uma só vez, mas Ward mantém uma perspectiva positiva. “Sei que não somos a solução para os plásticos oceânicos”, admite. Mesmo assim, ele está extraindo grandes quantidades de plástico das praias.

Redes à base de plantas que podem coletar até mesmo as menores partículas:

Um novo tipo de filtro de água feito de malha de nanocelulose derivada de plantas foi criado por cientistas do Centro de Pesquisa Técnica VTT da Finlândia.

Nanoplásticos – tão pequenos quanto 0,1 micrômetro de diâmetro – há muito se provaram particularmente difíceis de remover de água potável e de águas residuais, devido ao seu tamanho diminuto, e descobriu-se que eles se acumulam nos tecidos de humanos e outros organismos.

Esperançosamente, eles finalmente encontraram seu par. A estrutura porosa e coloidal da celulose permite que o material se ligue aos nanoplásticos sem usar nenhuma interação química ou mecânica, diz Tekla Tammelin, um professor e pesquisador.

A essência (que este breve vídeo sobre a tecnologia captura) é que os filtros de celulose podem ajudar os pesquisadores a estudar os nanoplásticos, bem como mantê-los fora da nossa água quando integrados em sistemas de filtragem de águas residuais, ou mesmo em máquinas de lavar, onde eles poderiam capturar as pequenas microfibras de roupas sintéticas que compreendem um subconjunto de microplásticos. E embora essas descobertas ainda estejam em seus primeiros dias, o produto nanocelulose já atraiu o interesse da indústria.

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