GANÂNCIA            

Walmart vende carne de empresa ligada à desmatamento da Amazônia

Três das maiores redes de supermercados dos EUA vendem carne bovina brasileira produzida por uma controversa empresa de carne ligada à destruição da floresta tropical da Amazônia, segundo uma investigação            
Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Os gigantes da alimentação Walmart, Costco e Kroger – que juntos totalizaram vendas líquidas de mais de meio trilhão de dólares no ano passado – estão vendendo carne do Brasil importada pela JBS, a maior empresa de carne do mundo, que tem sido ligada ao desmatamento.

A carne brasileira tem sido identificada como um dos principais causadores do desmatamento na Amazônia, onde áreas da floresta são desmatadas para pastagem e a criação de animais para consumo. A Amazônia é um elemento crucial para estabilizar o clima regional e global. Especialistas dizem que a preservação das florestas tropicais do mundo é essencial para evitar uma maior intensificação da crise climática.

Uma pesquisa em conjunto com o The Guardian, o Bureau of Investigative Journalism e a agência de análise de dados sem fins lucrativos C4ADS revelou que nos últimos anos, a afiliada da JBS Sampco Inc importou milhares de toneladas de carne brasileira, destinada a redes de supermercado e outras empresas alimentícias, para os EUA.

Os produtos incluem carne de vaca desfiada e enlatada, assim como carne e bifes congelados. Em dezembro, a carne triturada da marca Sampco, produzida em uma fábrica da JBS em São Paulo, estava sendo vendida online tanto pelo Walmart quanto pela Costco, e os dados de embarque indicam que a JBS exporta carne brasileira picada para ser vendida nas lojas Kroger.

Entre julho de 2017 e novembro de 2019, a Sampco importou mais de 5.000 remessas de carne brasileira totalizando 7.884 toneladas, de acordo com os registros obtidos pela C4ADS.

Em resposta a essas conclusões, os ativistas pediram às redes de supermercados que tomassem medidas rápidas para livrar-se de produtos ligados ao desmatamento.

“Os supermercados precisam ir além de sua retórica de sustentabilidade, estabelecendo requisitos rigorosos para seus fornecedores, proibindo o desmatamento, monitorando seus fornecedores para o cumprimento, e abandonando contratos com os maiores infratores como a JBS”, disse Lucia von Reusner, diretora sênior de campanha da organização internacional de campanhas Mighty Earth.

Costco recusou-se a responder perguntas, mas apontou suas políticas de sustentabilidade, que afirmam: “Nossa intenção não é obter carne bovina de regiões de alto risco de desmatamento até que sistemas abrangentes de rastreamento e monitoramento estejam em vigor”.

Um representante do Walmart declarou: “O Walmart leva estas alegações a sério e irá rever as alegações feitas. Acreditamos que florestas sustentam a biodiversidade, auxiliam a subsistência e desempenham um papel importante na redução da mudança climática”. O Walmart está trabalhando com fornecedores sobre certificação, monitoramento, apoio a regiões de fontes sustentáveis, promovendo ações colaborativas e defendendo uma política eficaz”.

Um porta-voz da Kroger disse: “Levamos o desmatamento a sério, como demonstrado por nosso compromisso de não desmatamento, e continuamos a engajar nossos fornecedores na busca desse compromisso e para garantir que nenhum desmatamento esteja acontecendo em nossas cadeias de fornecimento relevantes”.

As exportações de carne bovina da JBS têm sido vinculadas a fazendas envolvidas em até 300 km quadrados de desmatamento por ano. A empresa abate quase 35.000 cabeças de gado por dia no Brasil.

A JBS comentou: “A alegação ilegítima de que as exportações da JBS estão ligadas ao desmatamento é irresponsável e baseada na análise superficial e falsa da correlação entre a concentração do desmatamento em nível municipal e a localização de nossas plantas. A correlação não é a causa”.

Foto: Reprodução | Google Imagens

Os ativistas disseram que as últimas descobertas destacaram a necessidade urgente de leis norte-americanas que combatam o desmatamento. Até hoje, não houve nenhuma proposta significativa nos EUA para uma legislação federal que proíba as importações agrícolas ligadas ao desmatamento tropical, ao contrário da Grã-Bretanha e da UE, onde o surgimento de novas regras intensificou recentemente.

“Os EUA são cúmplices na impulsão do desmatamento global através de suas vendas de produtos de carne bovina do Brasil”, disse Sarah Lake, vice-presidente e diretora para a América Latina da Mighty Earth. “A administração Biden tem uma oportunidade de avançar na legislação para restringir a importação de produtos ligados ao desmatamento, assim como a UE, o Reino Unido e a França já estão fazendo”.

Brian Schatz, senador democrata pelo Havaí, disse antes da pandemia de Covid que planejava introduzir tal legislação. E na semana passada, um projeto de lei foi apresentado à assembleia estadual da Califórnia que exigiria que as empresas fornecedoras de produtos para o estado garantissem que eles não estivessem ligados ao desmatamento no exterior.

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