AÇÃO HUMANA            

Desmatamento causa estresse e danos psicológicos em animais selvagens

Pequenas quantidades de estresse agudo podem ajudar um animal a escapar de uma situação perigosa, mas níveis de estresse prolongados enfraquecem seu sistema imunológico, tornando-os mais suscetíveis a doenças            

Amostras de pelo de pequenos roedores e marsupiais na Mata Atlântica do Paraguai mostraram que animais nos pedaços menores de florestas tinham níveis elevados de hormônios de estresse.

Pequenas quantidades de estresse agudo podem ajudar um animal a escapar de uma situação perigosa, mas níveis de estresse prolongados enfraquecem seu sistema imunológico, tornando-os mais suscetíveis a doenças.

Repercussão de patógenos (de animais para humanos) parecem ser mais prováveis em todos os animais que estão estressados e agrupados juntos em partes da floresta, realçando a importância da abordagem de One Health (Uma Única Saúde), que reconhece a conexão entre humanos, meio ambiente e saúde de animais.

Foto: Ilustração | Pixabay

Os humanos não são os únicos que sentem ansiedade sobre a destruição ambiental. À medida que as florestas diminuem, mamíferos pequenos também estão se sentindo estressados e podemos perceber isso analisando seus pelos.

Um time de cientistas coletou amostras de pelos de 106 pequenos roedores e marsupiais em seis pedaços de floresta da Mata Atlântica, no Paraguai. Depois de moer cada amostra em pó, os pesquisadores usaram um bioensaio para medir os níveis de glicocorticoides (por exemplo, corticosterona e cortisol), hormônios que ficam elevados com stress.

Animais vivendo em pequenos pedaços de floresta tinham níveis de glicocorticoides do que aqueles em pedaços maiores de florestas, de acordo com o estudo que foi publicado no jornal Relatórios Científicos.

“Nós suspeitamos que organismos em áreas desmatadas mostrariam níveis mais elevados de estresse que animais em florestas mais reservadas e descobrimos evidência de que isso é verdade”, declarou Noé de la Sancha, professor associado de biologia na Universidade Estatal de Chicago e coautor do artigo.

“Mamíferos pequenos, principalmente roedores e pequenos marsupiais, tendem a se estressar mais, ou mostram mais sinais de terem níveis elevados de hormônios de estresse em pedaços de florestas menores do que em pedaços maiores”.

Os mamíferos foram capturados em ambas armadilhas que não matam os animais (armadilhas Sherman) e as que matam (armadilhas Victor) e pesquisadores se surpreenderam ao descobrir que o tipo de armadilha usado para capturar animais impactou nos níveis de hormônio também.

Amostras de pelo foram geralmente tiradas das patas traseiras e eles descobriram que, em armadilhas que mantinham animais vivos, a urina dos animais podia penetrar no pelo, resultando em níveis elevados de glicocorticoide na amostra. Contudo, isso não afetou o resultado de que menos florestas equivale a mais estresse.

Nem todo estresse ruim. Pequenas quantidades de hormônios de estresse podem gerar energia para animais defender-se de um ataque, mudar-se a um novo local ou lidar com outros incômodos na vida. Assim que a ameaça é resolvida, os níveis hormonais se reequilibram.

“Mas esses animais são colocados nesses pequenos pedaços de habitat onde eles estão passando por estresse elevado por longos períodos de tempo, e isso pode levar a doenças e desregulação de vários mecanismos fisiológicos no corpo”, afirmou David Kabelik, presidente do programa de neurociência no Rhodes College e um dos autores do artigo.

Esse estresse crônico afeta negativamente os sistemas imunológicos de animais durante semanas e meses. O aumento de doenças em populações animais pode levar a um aumento do risco dessas doenças passarem para humanos.

“Vimos vários exemplos na história que mostravam que agrupar indivíduos doentes em pequenos espaços podem exacerbar a transmissão de doenças; e também vimos vários exemplos recentes de patógenos realizando o pulo para além de barreiras de espécies”, Kabelik disse à Mongabay.

Os pedaços de floresta na reserva natural de Tapytá no Paraguai, onde o estudo foi realizado, variavam de 2 a 1.200 hectares (5 a 2.965 acres). Após séculos de desenvolvimento, menos de ¼ da Mata Atlântica, a maios floresta tropical depois da Amazônia, ainda permanece. Como resultado, quantidades massivas de mamíferos foram perdidas na região.

Os efeitos de degradação ambiental como esse são provavelmente sentidos por múltiplos animais, não apenas os pequenos, disse Kabelik, e as repercussões patogênicas (de animais para humanos) parece ser mais provável em todos os animais que estão agrupados e estressados em pedaços de floresta, apesar do estudo não ter lidado diretamente com esse fenômeno.

Com mais humanos vivendo em proximidade de pedaços de floresta no mundo, há o “potencial de focos de tensão para todos os tipos de doenças emergentes e/ou zoonóticas”, de la Sancha disse à Mongabay, e isso realça a importância da medida de One Health, que reconhece a conexão entre ser humano, meio ambiente e saúde animal.

“É importante”, Kabelik disse, “que sejamos conscientes sobre a cascata de efeitos negativos escondidos na vida selvagem e na sociedade humana, que é resultado do impacto em nossos habitats naturais”.

*Liz Kimbrough é escritora da equipe de Mongabay. Siga-a no Twitter: @lizkimbrough_

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