DESPEDIDA

Chimpanzé Black morre em santuário: ‘Sua história nunca será esquecida’

Black viveu durante quase dois anos no Santuário de Grandes Primatas, para onde foi levado após a ANDA mover uma ação judicial solicitando que ele fosse liberto do zoológico onde vivia aprisionado            
Black viveu quase dois anos no santuário (Foto: Projeto GAP)

O chimpanzé Black morreu no último sábado (6) no Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba, no interior de São Paulo, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Black vivia no santuário desde maio de 2019, quando foi transferido do Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros graças a uma ação judicial movida pela Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) e pela Associação Sempre Pelos Animais.

O anúncio da morte do chimpanzé foi feito pelo Projeto GAP, ao qual o santuário é afiliado, no último domingo (7). “Na quinta-feira (4), Black apresentou claudicação e leve apatia. Foi então medicado e estava sendo planejada anestesia para realização de um check-up completo de saúde. Infelizmente veio a óbito antes. A necropsia foi realizada e a causa mortis será concluída após o resultado de exames histopatológicos (análise microscópica de tecidos)”, informou o GAP.

Com idade estimada em 50 anos, Black conheceu o sofrimento de perto. Depois de ser explorado durante anos por um circo, o chimpanzé foi levado a um zoológico e, após ser picado por um escorpião, foi transferido em 1979 para o zoológico Quinzinho de Barros, em Sorocaba, onde viveu por aproximadamente 40 anos, condenado ao cárcere para ser explorado para entretenimento humano. A partir de 2011, quando sua companheira Rita morreu, Black passou a viver sozinho no zoo. Foram 8 longos anos suportando a solidão, fardo pesado demais para um animal que pertence a uma espécie bastante sociável.

Black tinha a companhia de Dolores no santuário (Foto: Projeto GAP)

Nas redes sociais, o Projeto GAP lembrou que, antes de ser transferido definitivamente para o santuário em 2019, Black esteve durante um breve período no local em 2004, enquanto seu recinto no zoológico passava for reformas. “Desde então, várias tentativas forem feitas para transferir Black definidamente para o santuário, entre elas uma intensa campanha pública liderada pelo Projeto GAP com apoio da GRASP – Great Apes Survival, da Organização das Nações Unidas. Finalmente, em maio de 2019, depois de mais um processo protocolado por ONGs em 2018, Black foi transferido para o santuário por determinação judicial”, relembrou o GAP.

“Black se adaptou ao santuário rapidamente e era muito sociável. Não gostava de ficar sozinho. Desfrutou esses quase dois anos da companhia da chimpanzé Dolores, em plena harmonia. Gostava de andar por todo o recinto, túneis e casinhas, além de acompanhar a vida dos grupos de chimpanzés vizinhos”, completou.

Juntos, Black e Dolores se divertiam no santuário (Foto: Projeto GAP)

O chimpanzé, que chegou ao santuário obeso e com alguns dentes quebrados, teve sua vida transformada. Seu histórico clínico expôs que, enquanto vivia no zoo, Black precisou ser medicado para estresse e chegou a ingerir as próprias fezes, fatos que comprovam o quão mal lhe fazia o aprisionamento para entretenimento humano. O sofrimento, no entanto, ficou no passado no momento em que o chimpanzé adentrou no santuário, onde teve a chance de ser tratado com a dignidade e o respeito que haviam lhe sido roubados.

Com sua partida, fica a saudade e a promessa do Projeto GAP de que “sua história nunca será esquecida”.

Nota da Redação: Nós, da ANDA, temos orgulho de ter participado da história que garantiu um final feliz ao Black, que graças à ação que movemos na Justiça teve a chance de desfrutar de uma vida feliz, longe do recinto que o aprisionava no zoológico. Com muito pesar, lamentamos a morte do chimpanzé, desejamos que ele descanse em paz e que sua história sirva de exemplo para a sociedade, para que no futuro nenhum animal viva aprisionado para entretenimento humano.

O santuário ofereceu uma vida digna ao chimpanzé Black (Foto: Projeto GAP)
Black e Dolores comiam frutas no santuário (Foto: Projeto GAP)

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